Campinas, SP, 22 (AE) - A desconfiança sobre as informações prestadas à CPI do Narcotráfico pelos criminosos aos cuidados do Serviço de Proteção a Testemunha não ocorre apenas entre os policiais civis de Campinas. Os dois oficiais da Polícia Militar acusados de envolvimento no roubo de cargas de caminhão na região também dizem que estão sendo vítimas de vingança.
O major Eliziário Ferreira Barbosa, chefe interino do Comando do Policiamento Rodoviário de São Paulo, e o capitão Renato Botelho, comandante do Policiamento Rodoviário em Jundiaí, serão ouvidos nos próximos dias, em Brasília, pela CPI. Eles se dizem "surpresos" e "apreensivos".
O suposto envolvimento dos policiais rodoviários foi denunciado pelo ex-soldado da PM Luiz Antonio Ferraz, condenado a cinco anos de prisão por roubo, que se ofereceu para falar à CPI. Em seu depoimento, ele disse que Barbosa e Botelho lhe davam ordens para escoltar caminhões roubados pelo empresário Willian Sozza. Numa acareação com o ex-soldado, porém, o motorista Jorge Méres, ex-integrante da quadrilha de Sozza, disse nunca ter ouvido falar dos dois policiais."Nós o prendemos e ele prometeu que se vingaria", disse Barbosa.
O capitão instaurou o processo disciplinar e o major presidiu o inquérito que resultaram na expulsão do ex-soldado e em sua condenação na Justiça comum. Ferraz foi preso pelos policiais rodoviários em novembro de 93, depois de assaltar um pedágio no quilômetro 92 da Rodovia dos Bandeirantes.

mockup