PMs devem ir a júri até o final do ano
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sexta-feira, 16 de maio de 1997
Agência Folha, de São Bernardo do Campo 
O julgamento do soldado Otávio Lourenço Gambra, o Rambo, acusado de matar o conferente Mario José Josino na favela Naval, em Diadema (Grande São Paulo), deve ocorrer até o final do ano. Os julgamentos de Rambo e dos outros nove PMs envolvidos em agressões na favela dependem de decisão da juíza Maria da Conceição Vendeiro, responsável pelo caso.
Se houver a pronúncia, ou seja, se Vendeiro considerar que há indícios de crime, haverá julgamento pelo Tribunal do Júri. Havendo a pronúncia dos dez PMs, o que dou como certo, o julgamento deve ocorrer em novembro, no máximo dezembro, disse Antônio Carlos Cristiano, um dos responsáveis pela acusação dos policiais.
O advogado de Rambo, Gamalher Corrêa, afirmou que não pensa em recorrer de uma eventual sentença de pronúncia ao Tribunal de Justiça, o que poderia retardar o julgamento. Estou inclinado a não recorrer, porque isso criaria um desgaste desnecessário. Acredito que o julgamento vá acontecer até dezembro, se houver mesmo a pronúncia, afirmou. Os outros nove acusados também poderão ser julgados até o final do ano, caso não haja recurso. A decisão da juíza deve ocorrer dentro de um mês, após as manifestações de acusação e defesa sobre os laudos da perícia e depoimentos de testemunhas.
Além da pronúncia (hipótese mais provável), a juíza pode optar pela absolvição sumária dos PMs, impronúncia (julgamento sem júri popular) ou desclassificação do processo (por falha técnica). O processo todo está andando muito rápido. A sociedade exige uma resposta firme sobre esse caso, disse o promotor José Carlos Blat. A acusação deverá pedir a pronúncia dos dez PMs.
Ontem, prestaram depoimento 19 testemunhas de defesa dos acusados no Fórum de Diadema. O julgamento dos PMs acusados deverá ser feito de forma individual. Os advogados de defesa disseram ontem que vão pedir o desmembramento do caso, evitando que os dez policiais sejam julgados em bloco. Não tem cabimento fazer dez julgamentos simultâneos. Isso dificulta o trabalho da defesa, afirmou Corrêa, advogado de Rambo.
O promotor José Carlos Blat afirmou que, a princípio, não se opõe ao desmembramento. É preciso haver bom senso. Podemos fazer julgamentos individuais ou juntar PMs que tenham tido participação parecida no caso, afirmou.


