O julgamento do soldado Otávio Lourenço Gambra, o ‘‘Rambo’’, acusado de matar o conferente Mario José Josino na favela Naval, em Diadema (Grande São Paulo), deve ocorrer até o final do ano. Os julgamentos de ‘‘Rambo’’ e dos outros nove PMs envolvidos em agressões na favela dependem de decisão da juíza Maria da Conceição Vendeiro, responsável pelo caso.
Se houver a pronúncia, ou seja, se Vendeiro considerar que há indícios de crime, haverá julgamento pelo Tribunal do Júri. ‘‘Havendo a pronúncia dos dez PMs, o que dou como certo, o julgamento deve ocorrer em novembro, no máximo dezembro’’, disse Antônio Carlos Cristiano, um dos responsáveis pela acusação dos policiais.
O advogado de ‘‘Rambo’’, Gamalher Corrêa, afirmou que não pensa em recorrer de uma eventual sentença de pronúncia ao Tribunal de Justiça, o que poderia retardar o julgamento. ‘‘Estou inclinado a não recorrer, porque isso criaria um desgaste desnecessário. Acredito que o julgamento vá acontecer até dezembro, se houver mesmo a pronúncia’’, afirmou. Os outros nove acusados também poderão ser julgados até o final do ano, caso não haja recurso. A decisão da juíza deve ocorrer dentro de um mês, após as manifestações de acusação e defesa sobre os laudos da perícia e depoimentos de testemunhas.
Além da pronúncia (hipótese mais provável), a juíza pode optar pela absolvição sumária dos PMs, impronúncia (julgamento sem júri popular) ou desclassificação do processo (por falha técnica). ‘‘O processo todo está andando muito rápido. A sociedade exige uma resposta firme sobre esse caso’’, disse o promotor José Carlos Blat. A acusação deverá pedir a pronúncia dos dez PMs.
Ontem, prestaram depoimento 19 testemunhas de defesa dos acusados no Fórum de Diadema. O julgamento dos PMs acusados deverá ser feito de forma individual. Os advogados de defesa disseram ontem que vão pedir o desmembramento do caso, evitando que os dez policiais sejam julgados em bloco. ‘‘Não tem cabimento fazer dez julgamentos simultâneos. Isso dificulta o trabalho da defesa’’, afirmou Corrêa, advogado de ‘‘Rambo’’.
O promotor José Carlos Blat afirmou que, ‘‘a princípio’’, não se opõe ao desmembramento. ‘‘É preciso haver bom senso. Podemos fazer julgamentos individuais ou juntar PMs que tenham tido participação parecida no caso’’, afirmou.

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