PMs defendem que cidadão se arme
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sexta-feira, 19 de dezembro de 1997
Rodrigo Vergara Agência Folha São Paulo 
Em meio ao clima de pavor causado por um grupo que assalta e estupra mulheres colidindo com seus carros em São Paulo, cinco capitães da PM lançaram ontem na Capital um livro que defende o armamento da população. Na obra, intitulada Reaja! Prepare-se para o confronto - Técnicas israelenses de combate, três princípios básicos destacam-se: os cidadãos devem reagir diante de uma ação violenta; o uso de arma de fogo é recomendável, desde que a pessoa seja treinada; e o bandido é uma pessoa menos humana e deve ser posto fora de combate.
As idéias dos autores chamam a atenção por serem totalmente contrárias à orientação da Secretaria da Segurança Pública e do comando da Polícia Militar, de desarmar a população e de valorizar os direitos humanos.
Mas as divergências não param por aí. Os autores chegam a criticar a Polícia Militar, no primeiro capítulo, e definem como deficiente a formação do policial militar em todo o Brasil.
A Secretaria da Segurança Pública e o comando da PM informaram ontem, por meio de suas assessorias de imprensa, que não comentarão o assunto. Esse livro presta um enorme desserviço a uma idéia tão avançada como a do desarmamento, afirmou ontem o advogado Jairo Fonseca, presidente da comissão de direitos humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo.
ExperiênciaOs cinco autores têm em comum mais que o livro lançado ontem, no Clube dos Oficiais da PM. Entre 89 e 94, todos fizeram parte do corpo de proteção pessoal do então governador Luiz Antonio Fleury Filho, onde se conheceram, e hoje trabalham juntos, em uma atividade irregular para policiais militares: são instrutores em uma empresa de segurança. Um dos proprietários da empresa, que possui um estande de tiro, é a mulher de um dos autores, o capitão Sérgio Olimpio Gomes. O regulamento da PM proíbe atividade profissional fora da corporação.
O livro é dividido em cinco capítulos, quatro deles dedicados ao confronto armado com oponentes. As explicações das técnicas são acompanhadas de fotos dos próprios autores empunhando armas em várias posições. Estão previstos aí confrontos de dentro de veículos e dicas de procedimento para pessoas que trabalham como seguranças.
O único capítulo que não aborda o confronto é o quarto, que traz conceitos de prevenção em diversas situações: em casa, no trabalho, nos deslocamentos pela rua, nos caixas eletrônicos.


