São Paulo, 29 (AE) - Os três soldados da Polícia Militar presos sob a acusação de deter, espancar e assassinar três jovens na Baixada Santista confessaram ontem (28) o crime. Eles confirmaram a versão do tenente Alessandro Rodrigues de Oliveira segundo a qual, nem ele, nem o soldado Marcelo de Oliveira Christov presenciaram os homicídios.
Segundo Christov, Edvaldo Rubens de Assis e Humberto da Conceição, quem disparou os tiros que mataram os adolescentes foi o soldado Assis. Um deles, o primeiro, teria sido acidental - a arma caiu disparando a bala que acertou a cabeça de Paulo Roberto da Silva, de 21 anos. Os dois outros rapazes morreram porque teriam tentado, pouco depois, escapar, tomando a arma do soldado.
"A confissão dos policiais não muda nada para a gente", disse o comandante da Corregedoria da PM, coronel Luiz Carlos Guimarães. "Assim mesmo eles serão expulsos da corporação", disse. As confissões dos policiais faz parte da estratégia da defesa. Os PMs resolveram confessar após o Ministério Público conseguir juntar 19 testemunhas que reconheceram os policiais e um laudo de DNA que mostrou que sangue achado no carro dos policiais era de uma das vítimas.
Carnaval - Os três rapazes foram mortos na Quarta-Feira de Cinzas. Após serem detidos na saída de um baile de carnaval em São Vicente, no litoral paulista, eles foram levados para um matagal e assassinados com tiros na cabeça. Seus corpos só foram encontrados 15 dias depois em Praia Grande. Os quatro policiais estão presos e são réus do processo onde são acusados de triplo homicídio qualificado e de ocultação de cadáver.
Os homicídios são qualificados porque as vítimas foram mortas com meio cruel, sem chance de defesa e o crime serviu para encobrir outro: o espancamento dos três no momento da detenção.

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