PMs começam adaptação em escolas de Londrina
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segunda-feira, 13 de maio de 2019
Isabela Fleischmann - Grupo Folha 

Policiais militares da reserva selecionados para o programa Escola Segura começaram na semana passada a adaptação nos colégios em Londrina. Foram 17 escolas atendidas. Entre elas, o maior colégio estadual do município, Vicente Rijo (na região central), que já recebeu um sargento e um cabo aposentados para reforçar a segurança.
O sargento Adenilson Borges Ferreira, 51 anos, foi selecionado para atuar na escola estadual. A presença dele suscitou dúvidas entre os alunos do Vicente Rijo, “será que é um professor novo, será que é o policial?”, contou o militar. Ainda sem fardas, sargento Borges e o cabo Cláudio Aparecido Lopes se revezam entre dois turnos.
Na avaliação de Borges, o governo acertou na criação do programa. “Se der certo, é ótimo Estou em adaptação, nunca fiz esse tipo de serviço com adolescentes”, conta o sargento, que contará com o apoio da Patrulha Escolar.
Os policiais ganharão rádio comunicador e poderão se comunicar com outros PMs nos colégios de Londrina. Caberá aos militares questões relacionadas à agressão, furto, roubo e drogas, de acordo com o sargento. “Se danificou o patrimônio público, fugiu, é de controle da escola”, disse.
Para a diretora Eliane Pinheiro Arruda, o Conselho Escolar decidiu se inscrever no programa porque tudo que agrega ao aluno no colégio é bem-vindo. Ela argumenta que questões de indisciplina seguirão sendo tratados com a pedagoga, mas situações extremas pedem intervenção dos policiais.
Com a presença do sargento e do cabo, a diretora pretende estabelecer ordem. “Tudo que vem para somar a gente precisa, psicólogos, pedagogos, profissionais. Os agentes de limpeza e manutenção, zeladores, embora reportem atividades dos alunos, não dão conta de fiscalizar tudo. Não é atribuição deles, não são inspetores”, pontua.
O Vicente Rijo tem 1.600 alunos. Por conta do tamanho do colégio e das ocorrências, a escola foi selecionada. “Temos dificuldades pela localização. Próximo ao Zerão, há pessoas ociosas que podem levar esses alunos. Alguns vão para o Zerão, alguns são vistos fumando com o uniforme”, explica.
Quando assumiu a direção, em 2016, Arruda fez um ofício solicitando à PM que deixasse uma viatura para segurança no colégio. Contudo, não foi possível por conta da falta de recursos. Quando esse programa veio, a diretora não pensou duas vezes. Alguns professores não aprovaram. “É algo que agrega segurança à escola. Lógico que eu preferia não colocar cerca na minha casa. Preferia não colocar câmeras. Mas é necessário”, rebateu.
A APP – Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná) se posicionou contrariamente ao Escola Segura, por entender que a repressão em decorrência da militarização não é a melhor maneira de lidar com os estudantes, já que o maior problema é a indisciplina.
Os atos infracionais cometidos no colégio continuarão sendo atendidos pela Patrulha Escolar, de acordo com Arruda. “Já tivemos casos de agressões, estilhaços de bombinhas que podem pegar em alguém, essas questões fogem da escola. Trabalhamos com a conscientização diária do aluno, mas as 'brincadeiras' também podem resultar em uma situação grave”, advertiu.
A diretora acredita que a recepção dos militares foi positiva. “São pessoas incumbidas para olhar os alunos. É importante porque onde há pessoas há conflito.”


