PMs acusados de matar 3 jovens na Baixada Santista vão à júri popular
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terça-feira, 27 de julho de 1999
Por Thélio de Magalhães e Zuleide Barros, especial para a AE 
São Paulo, 28 (AE) - Os policiais militares Alessandro Rodrigues de Oliveira, Marcelo de Oliveira Christov, Edivaldo Rubens de Assis e Humberto da Conceição, acusados de matar três adolescentes na Baixada Santista durante o carnaval, vão a júri popular. A sentença que manda os quatro policiais a julgamento foi proferida hoje pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Praia Grande
no litoral paulista, Rubens Hideo Arai, que considerou as provas apresentadas na denúncia suficientes para processar os militares da Cavalaria por tríplice homicídio qualificado, ocultação de cadáveres e abuso de autoridade. Da sentença ainda cabe recurso. Os PMs da Cavalaria, destacados para reforçar o policiamento da Baixada Santista durante o carnaval, foram denunciados pela morte de Thiago Passos Ferreira, de 17 anos, Anderson Pereira dos Santos, de 14, e Paulo Roberto da Silva, de 19. Os adolescentes foram executados com tiros na cabeça, na madrugada da Quarta Feira de Cinzas, dia 17 de fevereiro, em um manguezal numa região conhecida como Portinho, em Praia Grande. Na sentença, o juiz nega o pedido de liberdade provisória para os réus, que estão presos preventivamente desde o início do processo.
"Depor contra policiais acusados de crimes violentos é coisa que efetivamente intimida o comum dos brasileiros, notadamente se os acusados estão em liberdade", justifica. Assinala que a acusação e defesa ainda poderão requerer que sejam ouvidas testemunhas em plenário. Os policiais militares estão sujeitos a penas variáveis de 36 a 90 anos de prisão pelos três homicídios qualificados. A data do júri ainda não foi definida, mas há possibilidade de os quatro serem julgados no Tribunal do Júri de Praia Grande ainda este ano. O crime - Segundo a denúncia oferrecida pelo Ministério Público, os três rapazes foram abordados às 6 horas, na esquina da Avenida Manoel da Nóbrega com a Rua Saldanha da Gama, na Praia do Itararé, em São Vicente, pouco depois de sair do baile de carnaval no Ilha Porchat Clube. Conforme consta do processo, os jovens teriam resolvido ir até a praia com a finalidade de consumir maconha. Lá chegando, envolveram-se em uma briga com dois rapazes, que acabaram solicitando a intervenção dos policiais. Na abordagem, os PMs teriam sido extremamente violentos com os rapazes, razão pela qual resolveram eliminá-los
com a finalidade de assegurar a impunidade do crime praticado.
Os soldados Assis, Conceição e Christov são acusados de levar as vítimas para um matagal localizado nas proximidades do Litoral Plaza Shopping, na Avenida Ayrton Senna da Silva, em Praia Grande, cidade vizinha, onde os três foram executadas com tiros na cabeça. O tenente Oliveira teria pego um veículo particular, que seria utilizado na fuga de seus comandados, oportunidade em que aproveitou para tirar a farda e vestir trajes civis.
Assis e Conceição são responsabilizados pelos disparos que mataram os jovens. Christov teria ficado aguardando ao lado da viatura policial, para garantir que ninguém se aproximasse do local. Assis e Conceição ainda são acusados de ocultar os cadáveres em local de difícil acesso e ambiente propício para a decomposição rápida dos corpos. O tenente e Christov, embora não tivessem efetuado os disparos, estão sendo denunciados por homicídio, por terem prestado apoio material aos executores.


