PMs acusados de ajudar em assassinato são presos
São Paulo, 16 (AE) - Três policiais militares estão detidos administrativamente na corregedoria da PM, acusados de ter colaborado para o linchamento do office boy desempregado Ricardo Galvão, de 20 anos. Ele estava desaparecido desde terça-feira (13) e o corpo foi encontrado em Ribeirão Pires, no Grande ABC, a 30 quilômetros do local onde foi visto pela última vez.
Galvão e um amigo teriam tentado furtar um carro num estacionamento ao lado de um posto de gasolina numa avenida na divisa de São Paulo com Santo André (SP). Ao serem descobertos, o amigo fugiu e o office-boy foi agarrado por populares. Seis deles passaram a espancá-lo. Nesse momento, surgiu um PM que estava de folga e salvou o rapaz dos agressores. Ligou para o Copom e pediu um carro da PM. Como o local é divisa de área, o rapaz foi atendido por PMs de Vila Prudente, quando deveria ser de Santo André. Policiais ficaram encarregados de levar o rapaz para o 49º DP, de São Mateus. Como a vítima de furto não quis prestar queixa, o rapaz, por não apresentar ferimentos graves, pediu para não ser levado ao distrito, mesmo porque seria autuado em flagrante. Assim, o office boy foi deixado próximo de casa, em São Mateus, segundo informaram o policiais na Corregedoria.
Disseram também que foram seguidos por um Corcel ocupado por três rapazes. No 5º DP de Santo André, os três confirmaram ter participado do espancamento do rapaz no posto de gasolina e de ter seguido o carro da PM. Quando foi deixado próximo de casa
os três rapazes o apanharam e o deixaram em outro lugar, mas sem bater nele.
O corpo de Galvão foi encontrado com uma perfuração à bala na nuca, dois cortes na cabeça e marcas de pauladas, segundo boletim de ocorrência do 49.º DP.
O coronel Luiz Carlos Guimarães, comandante da Corregedoria da PM, informou que os policiais envolvidos foram indiciados por prevaricação. "Na Justiça comum, eles poderão responder por crime de omissão de socorro e, talvez, por homicídio, se assim o Ministério Público entender que eles não socorreram e possibilitaram até a morte do rapaz." O coronel informou ainda que as investigações prosseguem para apurar todos os detalhes do crime. Além do Inquérito Policial Militar (IPM) desenvolvido pela Corregedoria, o 19º Batalhão também investiga o caso.





