Brasília, 11 (AE) - Hoje, o PMDB voltou a ameaçar atrapalhar a votação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) em razão da notícia de que o PFL quer 40% da arrecadação do Imposto Verde para o Ministério do Meio Ambiente. Dessa forma, uma nova crise foi gerada na base do governo no Congresso.
A mudança de posição do PFL, que até então era contra a criação do tributo, pegou os peemedebistas de surpresa. Isso porque o partido planejava engordar o orçamento do Ministério dos Transportes em R$ 5,4 bilhões - total de verbas que o novo imposto deve gerar.
"Não faço chantagem com o presidente Fernando Henrique e nem vou politizar o tributo", afirmou o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA). "Isso demonstra que eles (pefelistas) nunca tiveram ideologia em relação ao Imposto sobre Combustíveis, já que, até o início da semana, eles eram contra"
atacou. Lima foi além no argumento, colocando em debate a CPMF. "Poderia dizer agora que só aprovo a CPMF se parte dos recursos que iria para a Previdência for para a Secretaria de Políticas Regionais e que parte do dinheiro que seria destinada ao Ministério da Saúde passasse para o Ministério da Justiça, com o objetivo de resolver os problemas dos presídios", insinuou Lima
referindo-se às outras duas pastas chefiadas por peemedebistas.
A nova briga entre o PMDB e o PFL incomoda o Palácio do Planalto. Até porque os peemedebistas querem que o presidente Fernando Henrique Cardoso solucione o problema. "Apoiamos o imposto como estava porque era de interesse do governo", ressaltou Lima. Para tentar encontrar uma saída política, o presidente deverá fazer uma grande reunião, logo depois do carnaval, com os líderes e presidentes de partidos, além dos ministros políticos. Mesmo assim, o PFL não está disposto a aprovar o Imposto Verde sem uma gorda comissão. No encontro que teve ontem (10) com o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, sugeriu que o ministério ficasse com 20% do total arrecadado. Mas foi o próprio ACM que sugeriu que ele pedisse 40%. Hoje, as principais lideranças do PFL haviam mudado o discurso em relação à aprovação do Imposto Verde. "Com uma destinação para o Meio Ambiente, o tributo fica muito mais digerível", ponderou o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE). "Se o cabeça branca decidiu, está decidido", completou o líder pefelista, referindo-se a ACM.
Até um discurso para a aprovação do novo tributo eles encontraram. "Esse recurso será usado para uma melhor destinação do lixo urbano", disse Oliveira, depois de conversar com Sarney Filho. Ele iniciou hoje um trabalho na bancada pefelista para conseguir o apoio do partido ao imposto. "Vamos ver a maneira formal de dividir a receita", observou o ministro do Meio Ambiente, dizendo que irá procurar o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha.
Mesmo assim, o Imposto Verde terá dificuldade em ser aprovado no PTB e no PPB. Hoje, o líder do PTB na Câmara, Roberto Jefferson (RJ), disse que irá manter uma posição de independência ao governo federal e que o partido ficará contra o tributo. "O brasileiro paga pedágio e IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) e, nem por isso, as estradas estão melhores", atacou Jefferson.

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