PMDB usa PPA para disputar com PFL compromisso pelo social
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por Carmen Kozak e Liliana Lavoratti 
Brasília, 20 (AE) - O PMDB está utilizando a relatoria do Plano Plurianual (PPA) para disputar com o PFL a imagem de compromisso com a questão social. O PFL de Antônio Carlos Magalhães saiu na frente com a defesa do Fundo de Combate à Pobreza e de um salário mínimo de US$ 100. O PMDB reagiu e sonha com o bônus político da paternidade de projetos antipobreza que estão sendo premeditadamente incluídos no PPA pelo relator-geral
deputado Renato Vianna (PMDB-SC).
Em jogo, R$ 700 milhões de novos investimentos por ano, atingindo diretamente 16,25% da população brasileira. Os pemedebistas acreditam ter mais chances do que os pefelistas de firmar um perfil de centro-esquerda para disputar, em 2002, a sucessão do presidente Fernando Henrique.
Os recursos, de acordo com a previsão do relator, serão executados, na sua maioria, pelo Ministério da Integração Nacional, comandado pelo peemedebista Fernando Bezerra. O PPA é o planejamento das ações estratégicas que serão executadas pelo governo de 2000 a 2003. O comando do PMDB elegeu 14 programas que atenderão microrregiões que concentram os bolsões de pobreza do país. Os R$ 700 milhões serão divididos pelas regiões, garantindo a cada uma delas R$ 50 milhões até 2003.
"O PPA vai ter uma cara social, definirá a cara que o PMDB quer construir a partir de agora", conta um dos idealizadores desta estratégia. O relator-geral do PPA confirma: "A marca que vou imprimir no PPA é a criação de novos programas voltados exclusivamente ao combate da pobreza, que não existiam na proposta do governo, e a valorização daqueles capazes de gerar emprego e renda no País".
A idéia de utilizar o PPA para a execução de projetos na área de atuação política do PMDB no governo federal surgiu no final do ano passado. Foi definida numa reunião do núcleo político do partido, formado pelo presidente nacional, senador Jader Barbalho (PA), pelo presidente da Câmara, Michel Temer (SP), pelo líder na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), pelo assessor especial da Presidência da República, Moreira Franco, e pelos ministros dos Transportes, Eliseu Padilha, e da Integração Regional, Fernando Bezerra. Eles decidiram que só com a relatoria do PPA o partido teria condições de assegurar os recursos e os programas necessários para dar densidade social para as áreaas controladas pelo partido.
À época, Antônio Carlos Magalhães comprou briga com a equipe econômica do governo, assumiu o discurso contra a miséria e defendeu a adoção de ações sociais mais contundentes. Além de dar uma imagem mais social ao seu partido, ACM pretendia desde então consolidá-la garantindo ao PFL a relatoria do PPA.
Uso Político - Um dirigente do PMDB conta que, ao perceber a estratégia pefelista, o comando do partido decidiu entrar na disputa. Numa manobra ousada, o presidente nacional do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), indicou-se para a relatoria do PPA. Provocou uma briga com o PFL. Acabou forçando um acordo de todos os partidos pela indicação de Renato Vianna, com a renúncia de Jader em favor do entendimento. "Tudo premeditado", diverte-se
hoje, uma expressiva liderança do PMDB.
Um ministro peemedebista conta que o PPA, pela importância que passou a ter no planejamento das ações de governo, é um dos caminhos para definir o parceiro preferencial do Planalto e, principalmente, definir o perfil dos aliados no governo federal. E é a condição de parceiro preferencial do Planalto o pano de fundo da briga entre PMDB e PFL em torno do mínimo. Os peemedebistas acreditam que, por causa da história da legenda, especialmente na ditadura militar, têm mais chances que o PFL de trabalhar um perfil social.
O PMDB controla hoje três ministérios: Transportes, Integração Nacional e a secretaria de Políticas Regionais. A importância político-eleitoral dessas áreas é constatada na disputa dos parlamentares pelos respectivos recursos. As áreas de Integração Nacional e Infra-estrutura, onde o peso maior é transportes, receberam 1.400 emendas do total de 2.886 apresentadas ao PPA.
Uma idéia da relevância destas áreas nos gastos federais destinados a novos investimentos é a previsão do PPA de R$ 36.856 bilhões na proposta original do governo somente para transporte. No Orçamento deste ano, os parlamentares também deram atenção especial para a infra-estrutura. Dos R$ 5 bilhões de gastos adicionais feitos pelos congressistas, R$ 1,5 bilhão foram para a área de transportes.


