Brasília, 05 (AE) - A resposta final sobre a troca de dossiês e acusações entre os presidentes do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e do PMDB, senador Jáder Barbalho (PMDB-PA), será dada pela Mesa Diretora do Senado depois de ouvir seus integrantes e lideranças partidárias. "O tom político está com a Mesa", observa o senador Ney Suassuna (PMDB-PB), para quem a candidatura de Jáder à presidência do Senado não ficou arranhada com o episódio. Segundo ele, o líder peemedebista continua com o apoio de sua bancada.
Reservadamente, no entanto, senadores do PSDB e PFL questionam eventuais abalos que o confronto e a falta de serenidade dos dois políticos no debate do plenário poderiam produzir na candidatura de Jáder. O comportamento do senador José Sarney (PMDB-MA), que não esteve no plenário e após o discurso subiu à tribuna para cumprimentar Antonio Carlos, criou especulações. Sarney preferiu não se envolver no episódio: "Eu não acho nada sobre isso", repetia aos jornalistas.
A discussão da Mesa amanhã promete mais polêmica. O segundo vice-presidente, senador Adhemir Andrade (PSB-PA), adversário político de Jáder no Pará, vai defender o encaminhamento da documentação ao Ministério Público, apoiando proposta feita hoje à tarde pelo senador Roberto Freire (PPS-PE). O PMDB, que tem três titulares na Mesa (o PFL tem um titular e um suplente de ACM), tentará de todas as maneiras evitar que isso aconteça. Segundo partidários de Jáder, uma decisão política desse porte só exporia o nome do presidente do PMDB, podendo até inviabilizar a candidatura de Jáder à sucessão de ACM, favorecendo José Sarney.

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