PMDB reclama de governo "fraco" e "sem pulso"
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quarta-feira, 15 de dezembro de 1999
Por Isabel Braga 
Brasília, 15 (AE) - O Palácio do Planalto tentou hoje minimizar as demonstrações de insatisfação com o governo feitas por lideranças do PMDB. Num jantar de confraternização do partido com jornalistas realizado no Hotel Nacional na noite de quarta-feira, alguns peemedebistas criticaram o Executivo, chegando a classificar o governo de "fraco" e "sem pulso".
Em entrevista coletiva, o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, reagiu com bom humor aos comentários feitos pelos aliados durante o jantar. "Eu não acredito que eles tenham dito isso", respondeu. "Agora, falar mal do governo é tão gostoso, que não deveria ser privativo da oposição", disse ele, citando o ex-senador Milton Campos. "Aliás, é bom falar mal do governo e coçar o pé", brincou.
Para Aloysio, não existe razão para o descontentamento do PMDB com o Planalto. "Não há insatisfação do PMDB com o governo e nem do governo com o PMDB", ressaltou. "São mexericos da noite brasiliense que não devem ser levados em consideração". Apesar da informalidade e descontração do jantar e do pedido de reserva para não divulgar o conteúdo da conversa feito pelos políticos peemedebistas, a notícia acabou circulando rapidamente nos bastidores de Brasília e chegou a causar mal-estar.
De acordo com o relato dos presentes, os mais insatisfeitos eram o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA) e do ex-ministro da Justiça, senador Renan Calheiros (AL). No final da noite, os peemedebistas ressaltaram que o governo estava prejudicando de forma intencional o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB), ao segurar verbas para a execução de obras. "Agora é bom ressaltar que o governo não vive sem o PMDB", disse um dos presentes, descartando uma eventual saída de Padilha do governo.
O deputado Geddel era o mais descontraído da noite e comemorava sua recondução no cargo de líder do PMDB. Ele aproveitou para anunciar sua candidatura à presidência da Câmara em 2001. "Só abro mão para o Jader", disse ele, explicando que só desiste da candidatura caso haja um acordo com o PFL para que o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) substitua o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) na presidência do Senado. Geddel classificou assim seus dois principais adversários: os líderes Inocêncio Oliveira (PFL-PE) e Aécio Neves (PSDB-MG). "Um é intelectual e o outro é um estadista."


