Rio de Janeiro, 19 (AE) - O PMDB não vai assumir a defesa do senador Luiz Estevão (PMDB-DF), que é acusado pela CPI do Judiciário de envolvimento em supostas irregularidades na construção de um prédio do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP).
A informação foi divulgada nesta sexta-feira (19) pelo presidente nacional do partido, senador Jáder Barbalho (PMDB-PA)
que ressaltou que as acusações contra Estevão são assunto de natureza empresarial, anterior ao mandato parlamentar.
"Isso é um problema da empresa dele", afirmou. "Não é do PMDB, é um problema das empresas do senador". As afirmações de Jáder contrastaram com algumas de suas declarações anteriores sobre o caso, quando o presidente do PMDB afirmou que não afastaria Estevão da sub-relatoria do Plano Plurianual (PPA) por não admitir fazer o "pré-julgamento de um companheiro".
Segundo Jáder, foi Estevão quem tomou a iniciativa de renunciar à sub-relatoria. "Ele me informou que estava deixando o cargo", disse. "O senador está com um problema na família, um problema grave de saúde, além de, evidentemente, querer dar a atenção a essa questão da CPI."
Jáder disse também que ainda não havia nenhum nome escolhido para substituir Estevão na sub-relatoria. Somente depois de amanhã, após conversar com outros peemedebistas, ele anunciará quem vai ser o substituto. O presidente do PMDB deu entrevista antes e depois de se reunir com o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, no apartamento do senador José Alencar (PMDB-MG), em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro.
Acerto - O senador disse que não houve nenhum acordo entre o PMDB e o PFL para tirar o assunto do Senado e deixá-lo para o Supremo Tribunal Federal. "Essa é uma especulação que não tem, absolutamente, nenhum tipo de cabimento", disse. "O senador está sendo objeto do resultado de uma CPI, enviado ao Ministério Público." Jáder lembrou que a CPI pediu que o MP aprofunde as investigações e deixou claro que o PMDB não apoiará, pelo menos agora, a abertura, no Senado, de um processo de cassação de Estevão, defendida pelo PT.
"As acusações são suficientes para recomendar que o Ministério Público aprofunde as investigações", disse. "É isso que está escrito, escrito em português, se quem leu interpretou de outra forma, não leu em português ou é semi-analfabeto."
Jáder afirmou também que "se alguém quer discordar do resultado da CPI não vai contar com a colaboração do PMDB" O presidente da Câmara, Michel Temer (SP), que também participou do encontro, disse que o tratamento da questão deve ser transparente.
"Se há acusações, devem ser apuradas", declarou. "O presidente Jáder Barbalho disse que o partido não interferirá nessa questão para acobertar qualquer fato."

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