PMDB mantém-se distante do escândalo de Goiás
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Claudia Carneiro 
Brasília, 11 (AE) - Sem querer um envolvimento maior com o escândalo de Goiás, o PMDB nacional fará uma defesa discreta do suplente e irmão do senador Íris Rezende (PMDB-GO), o médico Otoniel Machado, acusado de desviar R$ 5 milhões do governo de Goiás durante o segundo turno da campanha eleitoral. "Não vamos absolutamente declarar inocência de ninguém, nem condenação", disse o presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA). "Queremos apenas que a Justiça apure os fatos sem partidarizar as investigações", completou.
A cúpula do PMDB esperou a manifestação dos principais envolvidos no escândalo que ficou conhecido como "Caso Caixego" - incluindo os senadores Íris Rezende e Maguito Vilela - para tomar uma posição mais clara. Aproveitando o discurso enfático de Maguito, hoje, no plenário do Senado, Jáder Barbalho pediu ao presidente do Congresso, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que interpele os presidentes de todos os tribunais superiores do País para que seja esclarecida a alegação do juiz federal Alderico Rocha Santos, ao decretar a prisão preventiva de Otoniel Machado na última sexta-feira.
Em sua decisão, o juiz alegou, para justificar a prisão preventiva, que Otoniel Machado apropriou-se de documentos do Ministério Público e criou obstáculos à investigação da denúncia
com a ajuda de "um juiz presidente de um Tribunal Nacional". O juiz acrescentou ainda que não revelaria o nome dessa autoridade, nem o Tribunal, para preservar a imagem do mesmo. "É fundamental saber quem é essa pessoa", argumentou Barbalho, que foi prontamente apoiado pelo senador Antônio Carlos.
Para a Executiva Nacional do PMDB, a atitude de cobrar a identidade do "misterioso juiz" servirá como um lobby para evitar um julgamento político do irmão de Íris Rezende. Enquanto os senadores peemedebistas revelam uma postura tímida diante do escândalo, a bancada do PMDB na Câmara parece nem tomar conhecimento do assunto. Até deputados mais ligados a Íris, como Barbosa Neto e Nair Xavier Lobo, os dois do PMDB goiano, ainda não foram à tribuna defender os correligionários. Hoje, em quatro horas de reunião com o governador Itamar Franco, ninguém da bancada peemedebista chegou a mencionar o caso.


