PMDB evita assuntos polêmicos para se reaproximar do governo
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domingo, 19 de março de 2000
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 20 (AE) - Enquanto PFL e PSDB brigam pelo salário mínimo, a ordem interna no PMDB é manter silêncio. Ao evitar debates considerados desconfortáveis pelo Palácio do Planalto, o partido quer ficar mais próximo do presidente Fernando Henrique Cardoso e do PSDB e credenciar-se como o aliado preferencial do governo, título que antes era do PFL.
"Não vamos entrar em bola dividida", explica um cacique do PMDB. "Essa postura demagógica do PFL só irá contribuir para irritar ainda mais o presidente", observa, referindo-se à discussão sobre salário mínimo. A irritação do PMDB com o PFL cresceu com os rumores de que o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, um dos seus principais nomes, estaria sendo rebaixado para uma assessoria no governo. Os peemedebistas atribuem o boato à uma nova onda de intriga do PFL e conseguiram a confirmação do Planalto de que Padilha continua no cargo. O PFL já percebeu a estratégia e está preocupado com o seu afastamento gradual do centro do poder. "É evidente que eles estão querendo nos isolar", denuncia o deputado Pauderney Avelino (AM), vice-líder do partido na Câmara. "O silêncio do PMDB é um sinal explícito de uma nova composição no núcleo de poder do governo."
Ameaçado de expulsão por causa da CPI do Sistema Financeiro
o PMDB conseguiu inverter a situação. Na época, o PFL e o PSDB tentaram isolar o partido. Um ano depois, a situação é inversa e os sinais de unidade entre peemedebistas e tucanos estão cada vez maiores. Foi assim quando o partido neutralizou a discussão sobre restrições ao uso de medidas provisórias pelo governo. Em fevereiro, durante o troca-troca partidário na Câmara, o PMDB chegou a guardar um ofício, que não foi usado, formalizando um bloco com o PSDB para a eventualidade de o PFL fechar um acordo com o PPB.
Em troca de tanta lealdade, o partido deverá ganhar mais poder no governo; prioridade numa eventual chapa para 2002 e uma composição para as presidências de Câmara e do Senado no próximo ano. "O PMDB não abrirá mão de uma das duas Casas do Congresso", avisa o líder do partido, deputado Geddel Vieira Lima (BA).


