São Paulo, 27 (AE) - O PMDB reúne-se na noite de hoje (27) para definir a posição do partido sobre a abertura de um processo de impeachment contra o prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN).
O processo de impeachment foi hoje a principal discussão na Câmara Municipal. Durante todo o dia, as atenções estiveram voltadas para a bancada do PMDB, que pode definir o quadro a favor ou contra o prefeito.
Até o momento, 25 vereadores, incluindo o presidente da Câmara, Armando Mellão (PMDB), declararam-se favoráveis à abertura de uma comissão processante (CP). Para a formalização da comissão contra o prefeito, são necessários 33 votos dos 55 vereadores paulistanos. Caso vote unido, o PMDB, que possui dez membros na Câmara, definirá o destino de Pitta no Palácio das Indústrias.
"Não podemos dar uma resposta definitiva sem se reunir com os dirigentes do partido", esquivou-se o líder do PMDB na Câmara, Jooji Hato. Nos bastidores, os peemedebistas admitem que a tendência é o partido engrossar o bloco da oposição e apoiar o afastamento de Pitta.
A vitória do prefeito na Justiça, ontem (26), alterou a tendência de votos na Câmara. Após a cassação da liminar que determinava a substituição de Pitta pelo vice-prefeito Régis de Oliveira (PMN), vários vereadores preferiram rever a posição e evitaram dar uma opinião.
É o caso do vereador Paulo Frange (PTB) que havia admitido, no fim de semana, que o partido deveria votar a favor da abertura de uma CP. Hoje, o líder do PTB na Câmara, José Amorim, recriminou a atitude de Frange. "O partido só vai se manifestar quando o parecer da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) chegar à Câmara", disse Amorim. Ele referiu-se ao parecer da seccional paulista da entidade, que deve ser entregue amanhã (28) no Palácio Anchieta, sede do legislativo municipal.
No fim da tarde, Frange emitiu uma nota oficial, afirmando que votará de acordo com a bancada. Segundo ele, o momento político em que vive a cidade faz com que cada vereador tenha "uma posição de plantão e não uma posição definida." No PL, a situação também não está definida, apesar de o líder do partido, Mohamad Mourad, ser favorável à abertura do processo de impeachment. "Vou orientar toda a bancada nesse sentido", disse Mourad. Opinião semelhante tem o vereador Carmino Pepe (PL). Para que o prefeito seja cassado, são necessários 37 votos dos 55 parlamentares da Câmara. Após ser protocolado, o parecer será analisado por Mellão, que tem cinco dias para o analisar.
A partir daí, forma-se uma comissão especial de sete membros, escolhidos de acordo com a representatividade de cada partido na Câmara. Essa comissão tem dez dias para decidir se o prefeito será ou não processado.
A decisão da comissão tem de ser ratificada pelo plenário, por 33 votos abertos. Com isso, forma-se uma comissão especial composta de sete vereadores definidos por sorteio. Esses vereadores têm 90 dias para apresentar um relatório final, que, novamente, será submetido a plenário. Para que o prefeito seja cassado, são necessários 37 votos. A votação é secreta.

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