PMDB e PPB reagem contra demais partidos da base aliada
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de julho de 1999
Por César Felício, Mariângela Heredia e Lige Albuquerque 
Brasília, 13 (AE) - O PMDB e o PPB, prováveis alvos de uma reforma ministerial, partiram hoje para o ataque aos outros partidos da base aliada com o objetivo de tentar preservar os espaços no primeiro escalão do governo.
Arriscado a perder o cargo para compensar o PMDB pela possível demissão do ministro da Justiça, Renan Calheiros, o ministro da Agricultura, Francisco Turra, do PPB gaúcho, recebeu hoje garantia da cúpula do partido de que a solução não será aceita pela legenda. Ontem (12), no início da noite, Turra esteve no Palácio do Planalto, mas nega ter se encontrado com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Oficialmente, foi tratar com o secretário de Relações Institucionais da Presidência da República, Eduardo Graeff, sobre nomeações para cargos no ministério.
"Recebi telefonemas de apoio do deputado Delfim Netto (PPB-SP), do governador de Santa Catarina, Esperidião Amin (PPB)
e do ministro do Trabalho, Francisco Dornelles; foram as primeiras pessoas com quem eu falei no dia; eu tenho agenda de trabalho até o dia 28 de agosto, esta indefinição é desconfortável para todos e o presidente tem de ter liberdade para fazer a reforma quando quiser e com quem quiser", afirmou o ministro.
Mais exaltado, o ministro da Justiça também reagiu. "Tem muita gente corvejando, que deveria governar; só a República vai perder se o delírio desta súcia continuar", disse Calheiros, no Palácio do Planalto, logo após a sanção da lei de proteção a testemunhas. O ministro estava referindo-se ao governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), e ao presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), que, ontem, sugeriram publicamente a demissão dele. "Quem decide o meu destino é o presidente e meu partido", afirmou Calheiros.
Da mesma maneira que o colega da Agricultura, Calheiros usou a agenda lotada como sinal de prestígio e firmeza no cargo. "Estou viajando a trabalho para os Estados Unidos nesta quarta-feira (14); vou continuar trabalhando muito, sem me preocupar com quem não sabe conviver com o ciúme", disse. A pressão do PFL e do PSDB para ampliar a reforma também irritou o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), que acredita que o presidente só irá definir a nova composição do ministério no fim do mês, quando o presidente nacional da legenda e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), retornar de uma viagem de férias à Europa.
"O que o Covas diz tem importância zero para nós; ele tem de lembrar que o Renan não faz parte do secretariado dele e que ele ainda tem de ser eleito para se julgar presidente da República", afirmou o deputado. Geddel minimizou também as declarações de Bornhausen. "Quem manda no PFL não é ele, é o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (BA); se o Bornhausen não falou com ACM antes de pedir a cabeça do Renan, isto não vale nada", disse.
Por enquanto, a movimentação do PMDB para preservar o ministro da Justiça está sendo feita à distância. Barbalho é mantido informado dos rumores diariamente, em telefonemas feitos por Geddel, e, confiante que a reforma não acontecerá em curto prazo, irá manter-se fora do País até a última semana de julho. O líder do PMDB na Câmara deixou claro hoje que o partido não se interessa por trocar a Justiça pela Agricultura. "Os outros estão cobiçando o Ministério da Justiça pela projeção positiva que ele está dando para o governo e pela ampliação de suas atividades e de seu orçamento, ao receber recursos provenientes da renovação do licenciamento de automóveis e verbas para a recuperação do sistema penitenciário", disse Geddel.


