PMDB divide-se sobre filiação de Pitta
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segunda-feira, 23 de agosto de 1999
Por Flávio Mello 
Brasília, 24 (AE) - A eventual filiação do prefeito Celso Pitta (sem partido) ao PMDB provocou uma crise interna nos diretórios municipal e estadual do partido. O presidente do diretório municipal, João Osvaldo Leiva, garantiu ontem (23) que a legenda decidiu não aceitar a filiação de Pitta, mas o presidente do diretório estadual, Jayme Gimenez, disse que o partido ainda não tomou a decisão final.
"A filiação do prefeito Celso Pitta ao partido foi descartada", afirmou Leiva, após a reunião na qual o ex-governador Orestes Quércia e o presidente da Câmara, deputado federal Michel Temer (PMDB-SP), comunicaram a decisão de unificar as várias alas do partido e procurar um candidato em comum para disputar as eleições do ano 2000.
"O partido ainda não tomou uma decisão e o Leiva (João Osvaldo Leiva) saiu falando uma coisa que não tinha autoridade para dizer", reagiu hoje Gimenez. Ele disse que os diretórios municipal e estadual precisam reunir-se e avaliar oficialmente o assunto. De acordo com Gimenez, a tendência é que a eventual filiação de Pitta seja negada. "O que eu tenho sentido é uma tendência contrária, mas há várias alas que são favoráveis", justificou o presidente do diretório estadual.
Gimenez telefonou hoje de manhã para o secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg, e pediu desculpas pelas informações publicadas pela imprensa. Meinberg e Pitta reuniram-se no fim semana com Temer, em São Paulo, para ver a possibilidade de o prefeito paulistano filiar-se ao PMDB.
De acordo com Meinberg, não houve nenhuma promessa mas a reação teria sido positiva. Leiva, que desde que Pitta deixou o PPB, disse ser contrário à sua filiação ao PMDB, explicou que o passado "malufista" de Pitta e a possibilidade de o prefeito tentar disputar a convenção na legenda seriam os principais motivos para a resistência.
Uma ala da bancada municipal do PMDB seria favorável, por entender que a máquina administrativa da Prefeitura seria politicamente importante. Eles estariam preocupados com o desempenho nas eleições.
A bancada municipal do partido deve dobrar com as novas filiações - de quatro parlamentares para nove. Os vereadores Paulo Roberto Faria Lima e Ivo Morganti já filiaram-se ao PMDB. Nos próximos dias, devem filiar-se Myryam Athie, e o presidente da Câmara, Armando Mellão. O vereador José Olímpio (PPB) também deve mudar-se para o PMDB.
Se o PMDB realmente decidir não aceitar a filiação de Pitta, o prefeito responsável pelo terceiro maior orçamento da União correrá o risco de ficar politicamente isolado. Pitta deixou o PPB no primeiro semestre, depois de o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) afirmar em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo" que não "tinha nada ver com a administração municipal".
Desde o rompimento com o partido de seu ex-padrinho político
o prefeito já teve a sua filiação negada pelo PTB. Além do PMDB
os articulares políticos de Pitta têm conversado também com o PL. Em conversas reservadas, os principais colaboradores de Pitta admitem que uma eventual filiação ao PL poderia ser interpretada como uma reaproximação com Maluf ou até mesmo que o rompimento não passou de uma estratégia conveniente ao prefeito e ao ex-prefeito de São Paulo.


