PMDB deve votar desunido pedido de CP amanhã
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Marcus Lopes e Robério Panda 
São Paulo, 17 (AE) - A bancada do PMDB na Câmara de São Paulo deve votar dividida amanhã (18) o pedido de abertura de uma comissão processante (CP) contra o prefeito Celso Pitta (PTN). Os apelos dos Diretórios Municipal e Estadual do partido para o voto a favor do impeachment não surtiram efeito.
Outro partido que ainda está indefinido é o PTB, que ensaiou um recuo na tarde de hoje. Hoje à noite, os peemedebistas iriam reunir-se novamente com a direção do partido
quando o assunto seria novamente discutido.
Amanhã, o relatório que pede a abertura da CP para apurar eventuais irregularidades do Executivo deve ser posto em votação no plenário. A aprovação depende de 33 dos 55 votos em plenário. Em levantamento feito pela reportagem, 35 vereadores afirmaram que votarão a favor da CP.
"A reunião é para que haja uma união na hora do voto", disse o vereador Milton Leite (PMDB), sobre o encontro. Poucos integrantes, porém, acreditam que a orientação do partido seja seguida por toda a bancada.
Um integrante da legenda que pediu para não ser identificado afirmou que os parlamentares estão recebendo dois tipos de pressão: do partido, para o voto favorável à comissão, e da Prefeitura, com o objetivo de o processo ser arquivado.
Desde que a comissão especial emitiu parecer favorável à abertura da CP, na semana passada, o PMDB tornou-se o fiel da balança na decisão em plenário sobre o futuro de Pitta.
Logo depois da aprovação do relatório, os articuladores políticos do Palácio das Indústrias começaram a se movimentar para evitar a vitória da oposição. Segundo um importante vereador da bancada governista com trânsito no Palácio das Indústrias, o prefeito acionou os três secretários municipais do PMDB para tentar convencer os parlamentares a votar contra a abertura da CP.
Os secretários dos Transportes, Getúlio Hanashiro, de Assistência Social, Alda Marco Antonio, e de Serviços e Obras, João Octaviano de Machado Neto, tentariam convencer os vereadores a votar contra o relatório da oposição e garantir a vitória de Pitta na Câmara. O palácio nega a informação.
"Não vai adiantar nada, pois meu voto é o mesmo", afirmou Leite, um dos favoráveis à abertura do processo de impeachment. Hoje, integrantes do partido fizeram várias reuniões para discutir a divisão da bancada.
Além do PMDB, o secretário de Governo, Carlos Augusto Meinberg, também tenta convencer os indecisos a mudar de posição.
Segundo apurou a reportagem, o secretário vem conversando individualmente os vereadores. Hoje, vereadores da bancada governista foram vistos no Prefeitura, de manhã.
O PTB, mesmo tento orientação para votar favorável ao pedido de abertura de CP, ensaiou um recuo na tarde de hoje. O líder do partido na Câmara, José Amorim, disse que não iria revelar o voto. Até a semana passada, Amorim dizia-se favorável a abertura da comissão. Ele afirmara que, se fosse da Executiva do partido, iria liberar o voto da bancada. "Só vou revelar minha posição na hora da votação", disse. Para Amorim, o vereador Alan Lopes (PTB), que, até hoje, estava indeciso, deverá votar favorável. "Creio que ele seguirá a orientação do partido", contou.
Lopes participou, na noite de ontem (16), de uma reunião na residência do vereador Edivaldo Estima (PPB). Também participaram do encontro, que durou três horas, os vereadores Cosme Lopes (PPB) e Mário Dias (PPB). "Eu não sabia disso, não; tentei conversar com Lopes o dia inteiro, mas não consegui", afirmou Amorim. De acordo com Estima, os vereadores do PPB estão liberados para votar como quiserem. "É cada um por si e Deus por todos." Mesmo assim, a base governista volta a se reunir amanhã, às 14 horas, na Câmara, para a última reunião antes da votação.
O vereador Bruno Feder (PTB), que é citado no relatório da oposição como um dos que teriam recebido dinheiro para votar contra o impeachment, afirmou que dará o voto a favor da abertura de processo. "Estando ou não (com o nome citado no relatório), eu continuo votando pela abertura de processo", declarou Feder.


