PMDB desiste de romper com Itamar
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domingo, 26 de março de 2000
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 27 (AE) - A Executiva do PMDB de Minas Gerais desistiu hoje de romper com o governador Itamar Franco (sem partido), o que foi defendido por líderes da legenda, na semana passada. Teriam feito os peemedebistas desistir de abandonar o governador dois motivos. Um deles é que, mesmo aparentemente desprestigiado por Itamar, que largou o PMDB em 1999, alegando incomptabilidade com as diretrizes nacionais do partido, a legenda ainda possui importantes cargos no primeiro escalão estadual.
O outro é a esperança dos peemedebistas da chamada "ala oposcionista" ao governo federal de ver Itamar novamente nos quadros do partido, quem sabe, disputando a Presidência da República, em 2002.
Em reunião dos dirigentes peemedebistas, que aconteceria hoje à noite, em Belo Horizonte, seria feita apenas uma moção de apoio ao presidente estadual do partido e ex-secretário de Saúde do Estado, Armando Costa, exonerado pelo governador na semana passada, em razão de denúncias de irregularidades na pasta.
A idéia de rompimento surgiu logo após a dispensa de Costa e da substituição dele pelo deputado estadual Adelmo Carneiro Leão (PT). Os peemedebistas, que ainda não haviam digerido outras duas demissões de correligionários - o ex-secretário de Obras Públicas Maurício Guedes e o ex-diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) Antônio Bortoletti, exonerados em fevereiro também por suposto envolvimento em irregularidades -, viram a atitude de Itamar como uma demonstração clara de que o governador estaria desprezando o partido.
"Os últimos acontecimentos só reforçaram a tese de autonomia", declarou o deputado federal e até então presidente interino do PMDB de Minas Gerais, José Saraiva Felipe. A garantia de que a saída do governo estadual estava descartada, porém, foi dada ainda na tarde de hoje pelo deputado federal Zaire Resende (PMDB-MG). "Vamos continuar ao lado do governador", disse.
Na próxima semana, o PMDB mineiro divulga um manifesto contra o presidente Fernando Henrique Cardoso e a fixação do novo salário mínimo, o que pode agradar ao governador mineiro.
Mesmo antes de oficializar a saída do PMDB, em dezembro, Itamar, licenciado da legenda, vinha recebendo convites para entrar em outros partidos. O campeão de visitas foi o PSB, cuja direção nacional esteve com o governador por pelo menos três vezes. Até o prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), procurou Itamar, em Belo Horizonte, tentando atraí-lo para o partido dele.
Na semana passada, foi a vez do PL formalizar convite ao governador mineiro, que pertenceu ao partido na década de 80 e concorreu pela legenda ao Palácio da Liberdade, enfrentando e sendo derrotado pelo atual vice-governador, Newton Cardoso (PMDB). Fontes próximas a Itamar garantem, porém, que ele ainda não definiu qual dos convites irá aceitar. "O governador entende que ainda não é o momento para pensar neste assunto", disse um dos assessores dele. O mais provável, contudo, é que Itamar opte por um partido com o perfil do PSB para concretizar o projeto de liderar uma aliança de centro-esquerda na próxima eleição presidencial.
Itamar reuniu-se hoje, por três horas, com os secretários de Fazenda, Planejamento, Casa Civil e Administração
além do consultor econômico Alexandre Dupeyrat, para discutir o impacto do novo salário mínimo sobre a economia estadual e a possilidade de estabelecer um piso diferenciado em Minas Gerais, como facultou a medida provisória (MP) do governo federal.
Dupeyrat garantiu que, no caso do funcionalismo público estadual, não haverá problemas.
A justiticfativa é que o menor salário pago pelo governo mineiro aos cerca de 430 mil servidores estaduais, hoje, é de 231 reais, portanto maior que o mínimo federal, de 151 reais. Os terceirizados têm como piso 252 reais.
Itamar determinou, no entanto, que uma comissão de juristas examine a MP do mínimo para saber se é ou não inconstitucional delegar aos governadores a fixação de pisos salariais para a iniciativa privada. Caso opte por definir em mais de 151 reais, Itamar corre risco de quebrar prefeituras em Minas Gerais e prejudicar o projeto de reeleger aliados em diversos municípios. "A maioria das prefeituras mineiras não tem como pagar mais que os 151 reais", disse o presidente da Associaçao Mineira de Municípios e prefeito de Juiz de Fora, Tarcísio Delgado (PMDB).


