Brasília, 16 (AE) - O PMDB defende a reposição salarial para compensar a inflação. Após uma reunião da executiva do partido, o presidente da legenda, senador Jáder Barbalho, disse houve de perdas salariais com a inflação que precisam ser repostas. "Nada de indexação ou gatilho", ressaltou. Ele disse que o partido poderá apresentar um projeto de lei no Congresso, estabelecendo a reposição já para o mês de maio, quando acontece o reajuste do salário mínimo. A idéia da reposição é rejeitada pela equipe econômica do governo, que vê riscos para a volta da hiperinflação.
Jáder Barbalho também fez restrições a "agenda positiva" pautada pela reforma Política e defendida pelo Planalto. Para o senador, a prioridade no momento tem que ser a reforma tributária. Segundo ele, o governo tem que encontrar soluções urgentes para baixar os juros, reduzir o déficit público e apresentar novas medidas para a geração de emprego. "Eu não vou discutir nesse momento o sexo dos anjos", disparou Jáder referindo-se a priorização da reforma política defendida por Fernando Henrique.
Barbalho disse que a população não está interessada em discutir assuntos como fidelidade partidária, voto distrital misto ou cláusula de barreira. "As pessoas estão preocupadas com o salário e com seus empregos", disse o senador. "Por isso
não queremos bancar a Catarina da Rússia, que enquanto o País caia aos pedaços pensava que estava respaldada com grande apoio popular."
Para o líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG), a reindexação significa o fim de todo esforço de consolidação da estabilidade. "Todos gostaríamos de dar aumento de salário, mas a volta da inflação seria uma tragédia nacional; por isso o governo deve agir com extremo rigor para impedir que a economia caminhe para reindexação." Para ele, algum aumento do salário mínimo pode vir, mas as expectativas não podem ser grandes.
Tribunal - O PMDB também comprou briga com o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e passou a defender a manutenção do Tribunal Superior do Trabalho. "Sou contra a extinção da Justiça do Trabalho", defendeu Jáder. Uma das principais preocupações do senador baiano com a Justiça do Trabalho era exatamente o risco da indexação, por meio da concessão de reposição salarial. Para Jáder Barbalho, não se justifica a extinção de um tribunal especializado com milhares de processos. "Estamos convencidos de que a Justiça do Trabalho contribui para o Brasil", disse. "Mas o que existe de equívoco ou desvio, como o juiz classista, é preciso ser eliminado."
As declarações de Jáder criticando o governo e a posição de ACM foram interpretadas por aliados como o início da sucessão de 2002. A avaliação é de que o PMDB, apesar de estar no governo, já começa a fazer um discurso de independência e crítica para poder respaldar uma eventual ruptura com o Planalto durante as eleições presidenciais.
Por isso, o partido passa a defender temas populares como a reposição salarial. O próprio Jáder não nega esta avaliação. "Afinal, não podemos ter um ato de servilismo ao governo", disse o senador paraense. "Temos idéias políticas a oferecer ao presidente Fernando Henrique; se ele não aceita as propostas, aí passa ser outra etapa."

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