Brasília, 14 (AE) - O ministro da Justiça, Renan Calheiros, aceitou hoje permanecer no governo e dará posse amanhã (15) ao novo diretor-geral da Polícia Federal, João Batista Campelo. A decisão foi tomada após uma reunião de quase duas horas com algumas das principais lideranças do seu partido, o PMDB, que vinham atuando desde a semana passada para evitar que o ministro formalizasse um pedido de demissão. O ministro participou hoje de reunião promovida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso no Palácio do Planalto.
A decisão do ministro protela, ao menos por enquanto, a troca de comando no ministério da Justiça, dada como certa por colaboradores próximos ao presidente. Fernando Henrique já prepara uma reforma ministerial que poderá ser formalizada em agosto, oportunidade em que Renan deixaria o governo. A estratégia é manter o ministro até que o episódio Polícia Federal esteja superado e tenha deixado a mídia.
Derrotado na disputa pela indicação do novo diretor da PF, o ministro da Justiça desembarcou em Brasília no ínicio da tarde demonstrando abatimento. Ele evitou contato com a imprensa.
O presidente nacional do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), o senador Ramez Tebet (MS) e o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (RN), passaram horas no gabinete de Calheiros convencendo-o a ficar no governo.
Apesar de acatar os argumentos dos líderes do partido - que não quer perder espaço no governo nem ampliar o desgaste na relação com o presidente Fernando Henrique - a permanência de Calheiros no governo ainda é uma incógnita, segundo seus interlocutores mais próximos. "Hoje, eu sei que ele fica, mas amanhã ninguém sabe", disse um líder do PMDB que esteve com o ministro hoje.
Renan só fala sobre o caso com seus amigos mais próximos. "Se eu tivesse falado qualquer coisa teria estourado uma crise", tem dito o ministro. "Fui envolvido nisso sem ter feito nada", reclamou a um interlocutor próximo. Na semana passada, o ministro da Justiça foi obrigado a aceitar a nomeação do delegado João Batista Campelo para a diretoria da PF, no lugar do seu candidato, o delegado Wantuir Jacine, então diretor interino da corporação.
Além de perder a nomeação, Calheiros sofreu desgaste pela briga pública com o chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, que não endossou a indicação de Jacine. A disputa interna ampliou-se e tomou conta dos partidos que dão sustentação ao governo, envolvendo indicações do PSDB e do PFL. Na briga, o PMDB questionou a autoridade do presidente, aprofundando o desgaste. Hoje o ministro manteve silêncio. Para despistar a imprensa quando se dirigia ao Palácio do Planalto usou o carro de Jader Barbalho. Ao chegar para a reunião, disse apenas que continuava no governo. Informado da briga entre os presidentes do Senado e da Câmara por causa da reforma do Judiciário, mostrou certo alívio: "Agora, quem sabe essa crise sai de mim", comentou com um interlocutor próximo.

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