PMDB apóia proposta do PSDB e isola PFL na discussão do mínimo
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2000
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 25 (AE) - O PMDB juntou-se hoje ao coro do PSDB por um salário mínimo de R$ 160 e, com isso, isolou o PFL do senador Antonio Carlos Magalhães (BA), único partido da base que continua insistindo num valor de R$ 177. A decisão dos peemedebistas foi anunciada um dia depois de o líder tucano na Câmara, deputado Aécio Neves (MG), ter irritado os pefelistas ao sair do Palácio do Planalto defendendo um mínimo de R$ 160.
"Essa proposta do PSDB é factível", disse o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA). Falando em nome de um bloco parlamentar de 102 deputados, Geddel garantiu apoio ao valor sugerido pelos tucanos. "O valor de R$ 160 está dentro do que estamos dizendo; ou seja, tecnicamente pode ser defendido", ponderou o peemedebista. "Por isso, vejo essa proposta com simpatia."
A posição oficial do PMDB acabou demonstrando uma perfeita sintonia do partido com os tucanos. Além do apoio, Geddel também fez críticas indiretas à posição do PFL de defender um mínimo equivalente a US$ 100.
"É preciso ser responsável ao discutir um assunto como esse", provocou Geddel. "Não é possível transformar o mínimo numa bandeira eleitoral", atacou, referindo-se à posição do PFL de quinta-feira. Na ocasião, o líder do partido na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PFL-PE), atacou duramente Aécio Neves, chegando a acusá-lo de tentar roubar a "bandeira" dos pefelistas.
Crédito - As declarações de Geddel ampliaram as suspeitas da cúpula do PFL de que o presidente Fernando Henrique Cardoso já decidiu o valor do mínimo em torno dos R$ 160 e repassou esse número para tucanos e peemedebistas. Com isso, temem os pefelistas, o PSDB ganha um crédito com a população por ter defendido a proposta certa. Enquanto isso, o PFL ficaria marcado como um partido demagógico e irresponsável.
O Planalto não esconde o seu desconforto com a posição do PFL de ter precipitado o debate do mínimo quatro meses antes da data do aumento, que acontece somente em maio. Por isso os pefelistas ficaram incomodados com o "surpreendente" apoio do PMDB ao tucanos, como classificou um cacique do PFL.
Aliád, esse já tinha sido o discurso adotado pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan. Na noite de quinta-feira, ele derrubou com argumentos técnicos a possibilidade de o governo adotar um mínimo de R$ 177 em reunião com representantes do PFL.
Agora restou ao partido de ACM o consolo de estar em sintonia com as legendas de esquerda, que pregam um valor de R$ 180 para o salário básico do trabalhador. O líder do PT na Câmara, deputado Aloízio Mercadante (SP), lembra que esse valor representaria um aumento diário no salário de R$ 1,50. "Com isso, o trabalhador poderá comprar um frango por dia", disse Mercadante.


