Brasília, 26 (AE) - A cúpula do PMDB vai se reunir amanhã (27) para decidir o nome do deputado que conduzirá a discussão do Plano Plurianual de Investimentos (PPA), motivo da última disputa do partido com o PFL. O nome do novo relator - em substituição ao presidente nacional do PMDB, senador Jader Barbalho (PA) - deve ser anunciado até terça-feira e até o final da semana passada o nome mais cotado continuava sendo o de João Henrique (PI), membro da Comissão Mista de Orçamento.
Lideranças peemedebistas descartaram qualquer dificuldade para a escolha do novo nome, cujo perfil deverá privilegiar conhecimento neste árido setor de finanças públicas e Orçamento, e evitaram confirmar antecipadamente João Henrique.
Com o anúncio do novo relator, o PPA finalmente começa a tramitar no Congresso e a expectativa é que seja aprovado até meados de dezembro, junto com o Orçamento para o ano que vem. Também nesta semana deverá sair a decisão de tramitação conjunta entre as duas propostas.
Setores da bancada governista defendem que o Orçamento do ano 2000 e o Plano Plurianual sejam discutidos conjuntamente, já que ambos tratam das prioridades de investimentos do governo federal.
Com a solução do impasse em torno do PPA, o Congresso deve retomar seus trabalhos nesta semana em clima de calmaria. Nos últimos 15 dias, a disputa entre PMDB e PFL pela condução do programa trouxe de volta a tensão política entre os dois maiores pesos da aliança governista, conturbando um cenário que o Palácio do Planalto se esforça por manter tranquilo e sob controle.
Briga - Com o apoio do governo, o PMDB foi às últimas consequências na briga pelo esvaziamento da liderança do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), conseguindo uma vitória política inegável, porém, parcial. Nesta semana, as atenções dos políticos voltam a se concentrar em assuntos mais espinhudos, minimizados por causa da briga Jader x ACM.
O governo tentará encontrar um acordo com a oposição em torno do projeto de lei que muda o modelo de cálculo da aposentadoria do trabalhador em reunião prevista para terça-feira. A deputada Jandira Feghali (PCBdoB-RJ), relatora do proposta, admite rever pontos do seu parecer - que mudou radicalmente o projeto enviado pelo Palácio do Planalto -, mas não parece disposta a aceitar o modelo do fator previdenciário, ponto mais polêmico do projeto do governo. Este fator institui o cálculo atuarial no sistema, prevendo que trabalhador, ao se aposentar, receba só o que contribuiu na vida ativa.
Reforma - Se não houver acordo com a deputada, o governo promete acionar novamente o seu rolo compressor na Comissão de Seguridade Social e derrotar o parecer de Jandira Feghali.
Um outro parecer, assinado pelo deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), está pronto para substituir a proposta da oposição e ser aprovado pela comissão. Pelo parecer de Perondi, o segurado poderá escolher entre a aposentadoria por idade (aos 65 anos para homens e aos 60 para mulheres) e a fórmula do fator previdenciário.
Também devem avançar nesta semana as discussões em torno da reforma tributária. O relator da emenda, deputado Mussa Demes (PFL-PI), promete apresentar seu parecer até o dia 30, estabelecendo um projeto de consenso com o governo federal. Já está firmado entendimento em torno de um modelo de reforma que desonere as exportações e reduza os impostos em cascata.
No final da semana passada, integrantes da comissão especial, incluído o próprio relator, suavizaram as críticas ao elenco de sugestões enviadas pelo governo e passaram a defender uma reforma tributária de consenso.

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