PMDB aceita perder secretaria em reforma ministerial
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domingo, 04 de julho de 1999
Por Gerson Camarotti e Isabel Braga 
Brasília, 05 (AE) - O PMDB aceita a idéia de perder a secretaria de Políticas Regionais na reforma ministerial que está sendo preparada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso desde que o ministro da Justiça, Renan Calheiros, seja mantido. Fernando Henrique estuda extinguir todas as secretarias de Estado, inclusive a pasta de Políticas Regionais, ocupada por Ovídio de ¶ngelis, afilhado político do senador Íris Rezende (PMDB-GO). Segundo um influente cacique peemedebista, o "generoso gesto" do partido em aceitar a saída de Ovídio do governo serviu como crédito do PMDB junto ao presidente Fernando Henrique.
Hoje, o discurso do partido era diferente do da semana passada. "O PMDB está satisfeito com os ministros do partido que integram o governo, inclusive o secretário Ovídio de ¶ngelis", disse o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). "Mas reconheço que o poder de nomear ou demitir é exclusivamente do presidente Fernando Henrique", completou Geddel.
Sobre a situação de Renan, a ordem da cúpula peemedebista era neutralizar todos os boatos especulando a saída do ministro. Havia uma pressão dentro do governo para trocar Renan por um jurista. Mas essa possibilidade já era descartada hoje pelos principais caciques do PMDB. "O curioso é que só agora, quando a pasta da Justiça começou a ter visibilidade, é que começaram a cobiçar o ministério do Renan", avaliou um influente peemedebista.
Também é certa a permanência do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha. Hoje, antes de viajar para os Estados Unidos - onde ficará de férias durante o mês de julho - Padilha conversou com o presidente longamente pelo telefone, reforçando os acertos feitos no último sábado durante a visita ao Palácio da Alvorada. Ele manteve segredo sobre os acertos feitos com o presidente.
Mas enquanto o PMDB não faz esforço para manter a Secretaria de Políticas Regionais, Ovídio busca sua permanência no governo. Preocupado com as notícias sobre sua frágil situação, o secretário começou cedo uma maratona de telefonemas para saber sua situação no governo. Além de conversar com o presidente do partido, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), Ovídio foi ao Palácio do Planalto, no final da tarde, conversar com o chefe da Casa Civil, ministro Clóvis Carvalho.
Ovídio de ¶ngelis perde espaço no governo devido ao enfraquecimento político do senador Íris Rezende em Goiás, derrotado na eleição passada para o governo estadual. Da bancada original na Câmara, quatro deputados federais eleitos pela coligação de Íris já mudaram para o PSDB. Assim, o PMDB não se sente obrigado em defender o espaço de Íris no governo federal.
No Palácio do Planalto a reforma ministerial ainda é mantida em segredo. "O presidente já tem a reforma na cabeça, mas vai fazê-la sozinho", observou um assessor de Fernando Henrique. Já o porta-voz da presidência, Georges Lamazire, negou que qualquer informação sobre a mudança no governo esteja saindo do Planalto. "Tudo que tem sido atribuído ao Planalto é mera especulação", disse o porta-voz. "Essas notícias não saíram daqui", garantiu. "Se o presidente decidir, e quando decidir, ele mesmo irá anunciar", comentou Lamazire, afirmando que não há previsão. Mas interlocutores do presidente, garantem que Fernando Henrique quer concluir essa reforma o mais rápido possível.


