PM vai manter lobby contra mudanças
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quarta-feira, 13 de agosto de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaExpectativaO coronel Luiz Fernando de Lara não acredita na aprovação das principais propostas do governo A Polícia Militar vai manter o lobby no Congresso para impedir que as principais propostas do governo para mudar a segurança pública sejam aprovadas. O anúncio foi feito ontem, em Foz do Iguaçu, no encerramento do 16º Encontro de Comandantes Gerais da Polícia Militar e dos Corpos de Bombeiros Militares. No encontro foi divulgada a Carta de Foz do Iguaçu, documento com 25 reivindicações da instituição.
O coronel Luiz Fernando de Lara, comandante da Polícia Militar do Paraná e presidente do Conselho Nacional dos Comandantes Gerais da PM, disse que a expectativa é de que o governo analise e adote as propostas da Carta de Foz do Iguaçu. Se não forem incluídas, estaremos no Senado e na Câmara dos Deputados, afirmou.
Segundo pesquisas, o povo está com as PMs. O Congresso representa a vontade da maioria. É o povo que tem que decidir nosso futuro, não os entendidos de gabinete, pessoas que não conhecem a segurança pública, nunca viram um confronto e nem o trabalho estressante de um policial, declarou Lara.
As propostas governamentais mais atacadas foram as que defendem a desmilitarização e a desconstitucionalização das PMs. Na visão dos coronéis que elaboraram a Carta de Foz do Iguaçu, essas duas condições são fundamentais para a sobrevivência da corporação. Segundo eles, a formação militar garante a disciplina e o respeito à hierarquia e a eventual retirada das atribuições da corporação da Constituição pode significar caminho aberto para a atuação de movimentos sindicais na tropa.
Composta de seis páginas e 25 tópicos, a Carta de Foz do Iguaçu defende também a criação da Secretaria Nacional de Segurança Pública - para estabelecer uma política nacional nessa área - e o Fundo Nacional de Segurança Pública, cujos recursos seriam destinados a investimentos nas PMs e até ao pagamento de salários.
O documento cobra também que a Polícia Federal e as Forças Armadas participem efetivamente do combate ao tráfico de drogas e o contrabando nas fronteiras do País. O combate a esses crimes não tem fronteiras e precisa ser feito por forças com atuação federal, defendeu Lara.
A Carta de Foz do Iguaçu será enviada pelo Conselho de Comandantes aos governadores, ao ministro da Justiça, Íris Rezende, ao presidente Fernando Henrique Cardoso, à Câmara e ao Senado. Lara afirmou que foi convidado para um encontro com o ministro Íris Rezende. Disse que vai a essa reunião, mas ainda não estabeleceu a data.


