Foi debaixo de chuva que a família de um adolescente de 16 anos o sepultou no final da tarde de ontem, no Cemitério Jardim da Saudade, Zona Norte de Londrina. O jovem foi baleado pela Polícia Militar após o roubo de um Ford Fusion, segunda-feira à noite. Segundo informações da PM, ele e um outro adolescente de 15 anos tomaram o veículo do dono ainda na Rua Bahia, área Central, e teriam entrado em confronto mais adiante com policiais em uma viatura. A família contesta esta versão.

A dupla teria, conforme a PM, sido surpreendida durante o trajeto pela Rotam na Rodovia João Carlos Strass. Os policiais iniciaram acompanhamento tático e ligaram o alerta giroflex. Os suspeitos, porém, não teriam obedecido à ordem de parada e seguiram fugindo em alta velocidade.

Ao chegar à Rua Antônio Alves Resende, Jardim Tropical, o menor que dirigia o veículo teria perdido o controle da direção e batido contra um meio-fio. Trás policiais desceram da viatura e anunciaram a abordagem, mas teriam avistado a dupla já com arma em punho, relatou o major José Luiz Oliveira, da 4ª Companhia Independente da PM. "Diante da iminente possibilidade de serem atingidos, os policiais efetuaram os disparos que culminaram na morte de um dos adolescentes", explicou.

Quando os socorristas do Siate chegaram, o adolescente já havia entrado em óbito. Ele teria levado trás tiros. O outro rapaz envolvido também foi baleado e encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa.

Ainda de acordo com a PM, foram encontrados com a dupla um revólver calibre 380 e um revólver calibre 38. O adolescente hospitalizado já teria passagens por roubo e lesão corporal. Ontem, a ficha do jovem morto ainda estaria sendo levantada. O major afirmou ainda não saber dizer se houve troca de tiros com a Rotam. "Mas assim que os suspeitos saem com armas em punho, os policiais não vão esperar pelos disparos para reagir", argumentou. Ele garantiu que será instaurado inquérito para investigar a ação.

Investigação

A família do adolescente morto nega que o rapaz tenha envolvimento anterior com crimes e afirma que vai levar o caso à Justiça. "Não concordamos com o que fizeram. Vamos atrás de um advogado para cuidar disso", comentou um dos tios do rapaz, durante o sepultamento.

Ele observou que uma das armas encontradas com os adolescentes, a calibre 380, não pertenceria a eles. O familiar também sustentou que se houvesse ocorrido confronto com a PM haveria marcas de tiro na viatura policial. "No carro que eles estavam também não tinha marca de tiros", reforçou.

A mãe, primos e outros tios também chamam atenção para o número de disparos de arma de fogo que atingiu a dupla - o rapaz hospitalizado teria levado seis tiros. Eles lamentaram ainda o fato de os irmãos do adolescente morto que estão presos no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) de Londrina não terem recebido indulto para acompanhar o sepultamento do rapaz. "Disseram que não poderiam porque a morte foi em confronto com a polícia", pontuou uma tia da vítima.

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