Rio - Dois policiais militares, o segundo tenente Anderson Silva dos Santos e o sargento Celso Cardoso Pacheco, foram presos quinta-feira à noite sob acusação de proteger traficantes da quadrilha de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Eles devem ser expulsos da corporação. O secretário de Segurança Pública do RJ, Anthony Garotinho, disse que eles participavam de comboios de criminosos para distribuição de drogas, impedindo que eles fossem parados por blitze montadas pela PM. A Corregedoria Geral Unificada tem 200 processos envolvendo policiais suspeitos de corrupção; 24 já foram punidos.
Uma fita de vídeo obtida pelo Serviço de Inteligência da PM mostra o tenente conversando com um traficante identificado como Beto, numa lanchonete. Eles mencionam o nome do sargento. Reclamam que ele está ''cheirando (cocaína) demais''.
Os dois policiais trabalham no Grupo Especial de Polícia do Complexo Penitenciário de Bangu, na zona oeste do Rio, área onde Beto atua. Mas Garotinho não acredita que o contato deles com Beira-Mar tenha sido feito quando o bandido estava preso lá. ''Isso é coisa antiga'', afirmou o secretário, que não quis dar detalhes das investigações porque elas não foram concluídas.
Além das fitas de vídeo, há fitas cassete que deixam claro o envolvimento dos PMs com os criminosos, disse Garotinho.
Os policiais andavam nos carros dos traficantes. Quando o veículo se aproximava de uma blitz, eles mostravam a carteira da PM, o que lhes permitia fugir. Garotinho acredita que mais policiais estejam envolvidos com o esquema e que eles deverão ser presos em pouco tempo.
Beto, que é apontado como distribuidor da droga de Beira-Mar, não tem ficha policial. Os policiais estão presos em batalhões da PM em Niterói e na Baixada Fluminense. Eles prestaram depoimento e caíram em contradição. Ambos experientes o tenente tem 19 anos de PM e o sargento, 22 , os policiais serão expulsos da corporação, aumentando para 26 o número de policiais punidos por corrupção este ano. A Corregedoria Geral Unificada abriu, desde janeiro, 200 processos. Outros 1,3 mil que já existiam antes do início do governo Rosinha Matheus (PSB) continuam em andamento.

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