Rio - Policiais do Batalhão de Choque do Rio usaram bombas de efeito moral para conter centenas de candidatos a gari que tentaram invadir o sambódromo, local das inscrições para o concurso, na manhã de ontem. Houve correria e três pessoas foram socorridas pelo Corpo de Bombeiros com queimaduras e escoriações.
Segundo cálculos da PM, a promessa de salário de R$ 280, que pode chegar a R$ 600 com benefícios, atraiu 30 mil pessoas no primeiro dia das inscrições. Os aprovados no concurso formarão o banco de reposição da companhia de limpeza urbana do município, a Comlurb.
Os candidatos começaram a formar fila na tarde de sábado. Muitos chegaram com cadeiras de praia, colchonetes e até barraca de camping. Os próprios concorrentes organizaram a fila, que ontem dava voltas em dois quarteirões, e distribuíram senhas.
Quando os portões da Rua Benedito Hipólito foram abertos, às 6h30 de ontem, um guarda municipal orientou os candidatos a formarem fila em outro ponto. Começou então a correria. ''Quem estava no fim da fila entrou junto com as pessoas que estavam desde sábado. Foi uma confusão. Fiquei prensada no meio da multidão'', reclamou a desempregada Andréa Alves do Nascimento, de 28 anos.
Cento e vinte policiais dos 1º Batalhão (Estácio), Choque, e Grupamento Especial Tático Móvel (Getam) foram chamados para conter o tumulto. Os PMs do Choque lançaram as bombas de efeito moral. ''Ouvi mais de cinco estouros. Ficou todo mundo apavorado. Trataram a gente como se todo mundo fosse criminoso. Na verdade, é só um monte de gente precisada'', queixou-se o pedreiro desempregado José Roberto Lima, de 21 anos, que estava na fila desde a noite de sábado.
A aposentada Juraci do Nascimento Silva, de 70 anos, chegou ao sambódromo na tarde de domingo para guardar lugar para a filha, Ana Sheila, de 35 anos, mãe de três meninas. ''Essa última aqui nasceu e ela já estava desempregada. Cada uma que nasce, eu digo que eu sou o pai. Tomara que ela consiga esse emprego'', torcia Juraci, com a caçula Bárbara, de três meses, no colo.
O prefeito Cesar Maia atribuiu a ''coisas da conjuntura'' o elevado número de candidatos a gari. ''Os concursos da Comlurb atraem muita gente, porque as pessoas entram num grau de renda efetiva muito mais alto do que conseguiriam no mercado. Não só o salário, mas têm plano de saúde, tíquete refeição. Há um afluxo enorme, que atrai até pessoas que pelo nível de escolarização deveriam estar buscando outro tipo de trabalho. Sempre é assim'', afirmou o prefeito, lembrando que ''há cinco anos a economia está parada''.
O prefeito não respondeu quando foi questionado se houve desorganização por parte da empresa. O gerente de gestão de pessoas da Comlurb, Rafael Lerner, explicou que a correria foi desnecessária porque todos seriam inscritos. Ontem foram atendidos candidatos cujos nomes começam com as letras A e B. No último concurso, a Comlurb teve 44 mil inscritos.

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