Campinas, SP, 20 (ae) - A Polícia Militar de Americana, a 140 quilômetros de São Paulo, passou a usar bicicletas no patrulhamento preventivo da cidade. Dois policiais homens e cinco mulheres estão se revezando em duplas para percorrer os quatro quilômetros da avenida Brasil, que une o centro aos bairros. A ronda acontece das 15 às 21 horas, horário de maior movimento no local, conhecido como reduto de jovens, e onde os moradores costumam fazer caminhadas nos finais de tarde.
"O objetivo da ronda com a bicicleta é evitar que o crime aconteça", explica o coordenador do programa, capitão Luiz Antonio Clivelari. Segundo ele, a bicicleta facilita o contato mais direto entre policiais e moradores. "Esse fator ajuda no patrulhamento, porque os policiais ficam atentos a qualquer ação ou elemento suspeitos", explica.
Clivelari admite que as bicicletas não conseguirão ajudar os policiais no caso de uma perseguição, mas afirma que há outras vantagens que compensam esse fator. "Eles poderão circular em áreas de grande aglomeração", explica. Segundo o capitão, os policiais andarão armados e estarão munidos de celulares e rádio-comunicadores para pedir reforço em caso de confronto.
O uniforme dos policiais que usam bicicleta também mudou. Em vez de calças e botas, eles passaram a usar bermudas e tênis, além de acessórios próprios para a prática de ciclismo, como capacete e luvas. As bicicletas, fabricadas em alumínio, são equipadas com vinte marchas e foram financiadas por comerciantes da cidade.
A idéia de utilizar a bicicleta no patrulhamento foi importada do Canadá, onde essa prática é comum há muitos anos. No Brasil, o sistema já foi adotado em Bauru, Uberlândia e Uberaba. Em 98, um grupo de policiais de Americana viajou para o Canadá, onde realizou um curso preparatório na Real Polícia Montada, para conhecer os principais procedimentos.
"Nossos policiais estão bem preparados", garante Crivelari. Segundo ele, o policiamento com bicicletas tem grandes chances de se tornar um sucesso, principalmente porque a cidade, com cerca de 180 mil habitantes, apresenta baixos índices de criminalidade. Durante todo o ano passado foram registrados onze homicídios, número que equivale à média semanal em cidades vizinhas, como Campinas e Sumaré.

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