PM teme conflito em área ocupada pelo MST no Paraná
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quarta-feira, 02 de março de 2005
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
A Polícia Militar (PM) de Centenário do Sul (91 km ao norte de Londrina) está de sobreaviso. O alvo da preocupação é a fazenda Quem Sabe, invadida anteontem de manhã por cerca de 500 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), segundo estimativa inicial da corporação. A área estava na mira do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Mast), que há meses estava acampado do lado de fora da porteira.
Segundo o soldado Marco Tizzia, a possibilidade de conflito no local foi repassada ontem ao 15º Batalhão de Polícia Militar de Rolândia. Dois integrantes do Mast procuraram a polícia ontem com a denúncia de perseguição. ''Eles afirmaram que foram ameaçados por integrantes do outro movimento e foram perseguidos por uma moto'', afirma.
A fazenda Quem Sabe tem 486 hectares. Segundo a PM, funcionários do local adiantaram a colheita da soja e os invasores já estão preparando a terra para plantio. A área está em processo de desapropriação pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O descreto saiu há alguns dias e nesse final de semana técnicos do órgão foram avaliar o local. Com a publicação, a invasão foi deflagrada.
Segundo o superintendente do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, a invasão pode prejudicar o processo de assentamento. ''Há casos que ações como essa inviabilizam a área'', afirma. Segundo ele, até a emissão de posse da terra ao Incra, a área ainda é de posse do proprietário.
Lacerda afirma que o órgão tenta levar o processo em segredo para evitar as invasões, mas após a publicação do edital, a informação é pública. ''Infelizmente isso é praxe'', comenta. Ele também adianta que será impossível assentar todas as famílias no local que vai abrigar cerca de 35 famílias. Além das 500 pessoas do MST, mais 40 famílias do Mast disputam o local.
Duzentas famílias integrantes do MST invadiram, na manhã de ontem, um projeto de irrigação do Dnocs (Departamento Nacional de Obras contra as Secas) no interior do Ceará, chamado Tabuleiro de Russas (a 170 km de Fortaleza).
Logo que chegaram, os sem-terra entraram no prédio do órgão, instalado no projeto, que ainda não está concluído, e impediram a saída de dois funcionários da empreiteira Andrade Gutierrez, uma das empresas responsáveis pelas obras no local.
Em abril do ano passado, o mesmo projeto, que recebe verbas federais, foi invadido e o MST conseguiu a liberação de 240 hectares da área para a reforma agrária.


