PM tem tática especial de ação para desocupar áreas invadidas
A Polícia Militar do Paraná tem táticas de ações próprias para desocupar áreas invadidas pelo MST no interior do Estado. As operações de despejo, que incluem treinamento contra a suposta guerrilha formada pelos sem-terras, são preparadas minuciosamente e com muitas semanas de antecedência. Elas incluem até o registro de fotos aéreas das fazendas em poder do movimento. Um dos principais responsáveis pelos serviços de ‘‘espionagem’’ é o major Waldir Cuppetti Neves, chefe do Grupo Águia, um setor de elite da PM.
Neves já foi acusado de tortura contra policiais e teve uma participação polêmica no caso do desaparecimento do menino Evandro Ramos Caetano, em Guaratuba, no ano de 1992. Ele é acusado de ter torturado Celina e Beatriz Abage, mãe e filha acusadas de participar de um ritual de magia negra que terminou na morte de Evandro. As duas foram inocentadas no ano passado.
A Folha teve acesso a imagens de vídeo que mostram o major Neves dando instruções para policiais horas antes do início da desocupação da fazenda Florão, no início do mês passado, em Querência do Norte. As orientações verbais do major são repletas de detalhes documentais. Ele exibe aos policiais filmagens feitas secretamente na fazenda pelos homens do Águia um dia antes da desocupação. Neves é taxativo ao comentar o conflito agrário na região noroeste do Paraná. ‘‘Nós recebemos a missão de fazer um trabalho em Querência do Norte, que é a área mais complicada de sem-terra no Paranᒒ, afirma.
Mas a PM realiza também simulações de conflito com os sem-terra. A reportagem também teve acesso a imagens que mostram os exercícios. Numa área de treinamento, de um lado estão os soldados do Batalhão de Choque prontos para entrar em ação. Na suposta fazenda ocupada, estão os sem-terra personificados pelos próprios policiais armados de foices e disfarçados de agricultores. Um policial que faz o papel de repórter aparece na filmagem para ouvir o comandante da operação e os sem-terra.
O responsável pela tropa diz na filmagem que fará de tudo para não usar violência contra os invasores. Quando o falso repórter se dirige aos policiais que interpretam os sem-terra, um integrante do movimento faz questão de bradar contra os policiais, dizendo que os integrantes do acampamento vão resistir à retirada. Não faltam ‘‘provocações’’ aos policiais. A fita exibe ainda policiais militares passando por um campo lamacento. Os PMs são obrigados inclusive a passar por tubulações de esgoto.(D.V.)

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