PM suspende inscrições para 'Escola Segura' no Paraná
Programa do governo estadual foi anunciado no mês passado após a tragédia de Suzano e prevê que policiais militares da reserva façam a segurança dos colégios
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de abril de 2019
Programa do governo estadual foi anunciado no mês passado após a tragédia de Suzano e prevê que policiais militares da reserva façam a segurança dos colégios
Isabela Fleischmann - Grupo Folha 

O comando da PMPR (Polícia Militar do Paraná) resolveu suspender o processo seletivo de policiais militares estaduais da reserva que atuariam como voluntários no projeto Escola Segura, na prevenção e segurança de escolas.
O processo, aberto no dia 18 de março, foi suspenso temporariamente para que o governo avalie questões de remuneração das diárias desses voluntários. O governo estuda adequações para tornar o serviço mais atrativo para os policiais.
Inicialmente, o programa estava proposto para maio, mas foi antecipado para abril. O edital previa 74 vagas para escolas de Londrina e 46 para colégios na região de Foz do Iguaçu (Oeste). Por fim, o governo acabou anunciando o programa no mês passado por conta do atentado na escola de Suzano, na região metropolitana de São Paulo.
No último anúncio, o governo disse que o projeto chegaria a 100 colégios - da região de Londrina, em Foz e na região metropolitana de Curitiba - para um período de teste nos três primeiros meses, com um orçamento de R$ 5 milhões para equipamentos e treinamento dos policiais da reserva. Ainda não se sabe quando o processo seletivo será retomado.
OUTRO LADO
Já a APP Sindicato (sindicato dos trabalhadores em educação pública do Paraná) disse que o programa não foi debatido com a categoria e que ela só teve conhecimento da norma por meio da fala do governador. “Fizemos uma manifestação contrária à presença dos policiais no interior das escolas”, pontuou o presidente da APP, Hermes Leão.
“Fizemos uma manifestação contrária à presença dos policiais no interior das escolas”
Hermes Leão, presidente da APP -
Segundo o sindicalista, a segurança “para dentro do portão da escola” é um processo de organização pedagógica do colégio. “A polícia precisa fazer a segurança da sociedade”. Leão justifica que ter um policial armado dentro da escola é um processo de militarização da segurança da sociedade e da escola. Ele considera preocupante uma força de repressão armada dentro do ambiente educacional.
A indisciplina é o tema mais difícil na educação brasileira, de acordo com o presidente. Mas não é a militarização da segurança pública expandida para o interior do processo de aprendizagem que resolverá essa situação, segundo o professor. “O papel da prevenção da violência ainda é pouco debatido. Uma violência como a de Suzano desencadeia todo apelo, mas precisamos tomar cuidado”, pontuou.
Leão argumenta ainda que a escola não abre as portas para que qualquer pessoa entre sem cuidado. Por conta de Suzano, a APP orienta que as escolas tenham um funcionário que questione o que cada um fará na escola e o que procura, antes de acessar o interior do colégio. “Temos que ter esse cuidado, nesse período cultural se imagina que pela questão das armas se pode resolver o problema da violência, mas não podemos colocar no mesmo pacote situações de indisciplina, que são típicas da juventude, e armas de fogo. Não é assim que se resolve o problema”.
(Atualizado às 17h42)


