PM suspeito de ferir cabo alega inocência
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quinta-feira, 26 de junho de 1997
Agência Estado Belo Horizonte 
O soldado Wedson Campos Gomes, de 30 anos, lotado no Batalhão de Choque da PM mineira e principal suspeito de ter ferido com um tiro na cabeça o cabo Valério dos Santos Oliveira durante confronto envolvendo policiais militares e civis em Belo Horizonte, na terça-feira, continuou detido ontem no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, zona oeste de Belo Horizonte, mas alega inocência. Gomes, identificado a partir de imagens gravadas por emissoras de televisão no conflito, apresentou-se ao comando da PM anteontem à noite, acompanhado de um advogado. Ele disse ter se entregado apenas para preservar sua segurança, já que teria se sentido ameaçado por colegas.
O soldado confirmou ser o rapaz que apareceu na televisão, à paisana, atirando com um revólver calibre 38, niquelado, durante a tentativa de invasão do prédio do Comando Geral da PM, na Praça da Liberdade, afirmou o assessor de imprensa da corporação, major Rômulo Diniz. Mas diz que disparou para cima, porque alguém lhe apontava uma arma de dentro do prédio, e tem certeza que não acertou o cabo Valério, acrescentou. Logo após o incidente com o cabo, os manifestantes levantaram suspeitas de que o autor do disparo tivesse sido o comandante de policiamento de Belo Horizonte, coronel Edgar Eleutério Cardoso.
Três testemunhas disseram ter visto o oficial atingir Valério com um tiro de revólver. A Polícia Civil de Minas realizou perícia no local e concluiu que a trajetória da bala inocenta o coronel Cardoso.
O cabo Valério dos Santos Oliveira, de 35 anos, casado e pai de dois filhos, sofreu uma segunda cirurgia na madrugada de ontem no hospital João XXIII, onde estava internado desde a terça-feira. Segundo a coordenadora clínica Beth Kopit, Valério, que encontrava-se na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e respirava com a ajuda de aparelhos, teve de ser operado novamente porque foi vítima de aumento da pressão intracraniana. Felizmente, conseguimos fazer com que a pressão voltasse ao normal, mas o estado do paciente ainda é muito delicado, afirmou a médica.


