Londrina Trabalhadores subindo as ladeiras rumo à labuta diária, crianças de uniforme indo à escola, mães levando os filhos para a creche, os cães se espreguiçando nas ruas pacatas, o nevoeiro da manhã, os pontos de ônibus cheios de gente animada, o movimento de sempre nos bares, padarias e supermercados.
Uma força-tarefa de aproximadamente 300 homens fardados, deslocados em 44 viaturas de vários tipos, armamento pesado, helicóptero com atiradores.
Estes dois mundos se encontraram no começo da manhã de ontem no Jardim União da Vitória, extremo sul de Londrina, na megaoperação que prepara a instalação da 12 Unidade Paraná Seguro (UPS), marcada para segunda-feira, no aniversário da cidade. Uma base fixa será montada no final de semana em uma área na frente do Centro de Atendimento Integral à Criança (Caic), na Avenida Guilherme de Almeida.
De acordo com o comandante da operação, o coronel Altivir Cieslak, homem-forte do 2º Comando Regional da Polícia Militar, a escolha do bairro para a primeira UPS da cidade foi feita com base em vários fatores (ver no quadro), mas o principal deles foi a alta incidência de homicídios.
Ainda segundo Cieslak, seis áreas foram ventiladas para receber a unidade pacificadora e duas delas foram selecionadas para análise. Além do União da Vitória, o complexo Rua Pantanal/Jardim Nossa Senhora da Paz foi observado mais atentamente por causa do conflito entre quadrilhas rivais. O comandante preferiu não comentar a possibilidade da instalação de novas UPSs na cidade. ''O que posso dizer é que o União da Vitória é a primeira UPS de Londrina'', afirmou.
O coronel admitiu que a situação no bairro ''já foi muito pior'' mas que na época do auge da violência ainda não havia o programa de policiamento comunitário, que já atua em 10 bairros de Curitiba e um de Cascavel.
O coordenador estadual das UPSs, coronel Cesar Alberto Souza, disse que o foco da ocupação é estreitar o relacionamento entre os moradores e a polícia. ''Quanto mais tempo a gente passa, quanto mais a gente vai conhecendo a comunidade, quanto mais ela vai nos conhecendo, mais a comunidade confia na polícia'', afirmou o coronel. Souza revelou que os bairros ocupados pela polícia comunitária apresentaram redução de 50% no número de roubos e homicídios.
A Polícia Militar também informou que os estudos sobre o bairro apontaram que 85% dos homicídios que ocorreram desde 2010 estão relacionados ao tráfico de drogas, a maioria acerto de contas ou disputa por pontos de venda.

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