PM retira sem-terra acampados em praça em Curitiba
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sábado, 27 de novembro de 1999
por Miriam Karam 
Curitiba, 27 (AE) - Numa operação-surpresa, a Polícia Militar do Paraná retirou, na madrugada de hoje, os sem-terra que acampavam desde o dia 8 de junho na Praça Nossa Senhora da Salete. A praça fica na frente do Palácio Iguaçu, a sede do governo estadual, no centro de Curitiba. De acordo com o Movimento dos Sem-Terra (MST), a polícia teria usado de violência. Oito pessoas foram presas, entre elas o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Darci Frigo. Com as roupas rasgadas, ele foi levado ao Instituto Médico-Legal (IML) para exame de corpo de delito.Os sete presos foram libertados com o pagamento de fiança, no início da tarde de ontem. Também havia previsões de que Frigo seria libertado mais tarde.
De acordo com a CPT, não se sabia ao certo para onde as cerca de 800 pessoas do acampamento foram levadas. A Secretaria de Comunicação Social do governo informou que os sem-terra foram cadastrados e levados, em 12 ônibus, para seus locais de origem. Um dos coordenadores do MST no Paraná, Ubiraci Stesko, disse que a imprensa e os líderes do movimento, avisados por volta das 4 horas, foram impedidos de chegar ao local. De acordo com suas informações, a PM cercou o acampamento, pouco depois das 3 horas
e tirou as pessoas da cama, não permitindo que levassem nada consigo.
O advogado Anderson dos Santos, da Associação Direito e Cidadania, afirmou que a polícia estava fortemente armada. Segundo o governo, porém, apenas parte dos quase 700 policiais portava armas. Eles estariam na retaguarda da ação, prontos para alguma eventualidade.
A advogada Andressa Caldas, da Associação Direito e Cidadania, e o repórter Edson Thomaz, da Rádio Clube Paranaense, teriam sido feridos na operação. Thomaz disse que foi agredido com coronhadas pela PM no momento em que o advogado Darci Frigo estava sendo surrado. Já a Secretaria de Comunicação Social informou que Frigo teria empurrado um soldado, que na queda quebrou uma perna.
Estrutura completa - Nos 173 dias em que permaneceram acampados - rodeados pelo Palácio do Governo, o Tribunal de Justiça, a Assembléia Legislativa e a prefeitura municipal -, os sem-terra montaram uma estrutura completa, até mesmo com horta e uma padaria que fornecia pão para moradores das redondezas. O governo do Estado garante que, com a prefeitura, gastou R$ 500 mil para apoiar e alimentar os sem-terra.
Stesko disse ter estranhado a operação, pois ontem (26) havia chegado perto de um acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o governo do Estado. A previsão é de que o acampamento será desativado na próxima semana.


