PM retira famílias de área de proteção de mananciais
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quinta-feira, 26 de agosto de 1999
Por Natalie Antar, especial para a AE 
São Paulo, 27 (AE) - Cento e oitenta homens da Polícia Militar, acompanhados de oficiais de Justiça, retiraram 30 famílias, no início da manhã de hoje, de uma área de proteção de mananciais, localizada no Morro do Índio, no Jardim ¶ngela, na zona sul da capital. A reintegração de posse foi pacífica. O terreno, com aproximadamente 250 mil metros quadrados, foi ocupado pelos sem-teto há 15 dias. Muitas famílias não tiveram tempo de construir suas casas de madeira e estavam morando em cabanas improvisadas. No total eram 80 pessoas, 30 delas, crianças.
Segundo a PM, os moradores já tinham recebido um comunicado avisando que deveriam desocupar a área, que pertence a empresa Mimax Comércio e Construções Ltda. "Por isso muitas famílias já tinham ido embora", afirmou o comandante do 1.º Batalhão da PM, coronel Jackson Jamir Zeidan. As pessoas que ficaram retiravam seus objetos na manhã de hoje, observadas pelos policiais. "Acho que o único lugar que o pobre vai poder morar sossegado é no cemitério", lamentou a dona de casa Maria das Graças, de 37 anos. "Vou pegar as minhas coisas e conseguir um outro lugar para viver com os meus três filhos".
Durante a retirada, a garota Daniela Santos da Silva, de 15 anos, grávida de seis meses, passou mal e precisou ser socorrida. Logo depois ela melhorou. As famílias foram para casas de parentes. Proprietário - "Aqui é uma área de manancial de grau de proteção A, o que significa que só poder existir lotes acima de 3 mil metros quadrados", disse o advogado da Mimax, Warrington Wacked Júnior. "Infelizmente essas pessoas não podem ficar aqui".
Na reintegração de posse, o comandante do 1.º Batalhão da PM criticou a Administração Regional do Campo Limpo. "Até agora, quatro horas depois do início da operação, a Prefeitura não mandou ninguém para nos ajudar", comentou. "Ligamos para lá e nos informaram que somente às 9 horas os supervisores vão pensar se mandam alguém", disse. "Enquanto isso, fazemos tudo até o papel de assistente social", completou o comandante.
O administrador Regional do Campo Limpo, Antônio Carlos Ganem, informou que a Prefeitura ajudou a conter a invasão que poderia ser maior. "Agora a responsabilidade é da empresa que entrou com o pedido de reintegração de posse, pois o terreno é particular e não pertence à Prefeitura", disse.


