Luiziana - Cerca de 150 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), incluindo mulheres e crianças, foram retirados ontem de manhã das margens da PR-549, rodovia que dá acesso a Luiziana. A ação da Polícia Militar aconteceu três dias depois da juíza substituta 2ª Vara Cível de Campo Mourão, Sandra Regina Bittencourt Simões, conceder liminar para reintegração de posse da Fazenda Baronesa dos Candiais 2.
A ação da PM começou às 6 horas, com a utilização de 16 viaturas e um ônibus lotado de policiais. Pelo menos 120 homens participaram da operação. Não houve reação dos sem-terra, que estavam acampados em cerca de 60 barracas, nem tiros. Apesar da tranquilidade da ação, a PM prendeu os sem-terra José Ferreira, 36, e Domingos Quadra, 28. Eles foram acusados de formação de quadrilha. Nenhuma arma de fogo foi encontrada nas barracas.
Os sem-terra estavam acampados no local há 10 dias. No Natal, a PM já havia retirado um grupo menor de sem-terra que acampara na área um dia antes. As famílias retiradas ontem foram levadas para acampamentos de Peabiru, Quinta do Sol e Mariluz. Os barracos foram demolidos ainda ontem de manhã. A polícia fechou a rodovia e impediu a passagem pela estrada durante a operação, mas a Folha
conseguiu acompanhar a reintegração.
O MST divulgou nota ontem reclamando que havia um acordo com o Incra e a Secretraria de Segurança Pública para que as famílias ficassem à beira da rodovia. O advogado José Luiz Gurgel Júnior, no entanto, conseguiu uma liminar alegando que a presença dos sem-terra estava impedindo a aplicação de defensivos agrícolas e bloqueando a passagem por uma estrada secundária. A parte ocupada, de 120 alqueires, é arrendada e está coberta com soja.

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