Rio - Após décadas de domínio do tráfico (e mais recentemente, também de milicianos), as 16 favelas do Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, foram ocupadas ontem de madrugada pelas forças de segurança. Participaram cerca de 1,2 mil homens das polícias Militar e Civil, com apoio de 21 blindados e 250 fuzileiros navais da Marinha. A operação teve também quatro helicópteros, entre eles o blindado da PM, conhecido como Caveirão do Ar.
Sem nenhuma resistência, o controle do território pelo Estado foi retomado em apenas 15 minutos. A tranquilidade não surpreendeu as autoridades. Os principais traficantes das facções que atuavam na região fugiram dias antes da ocupação, apontam agências de inteligência.
Paralelamente à ocupação pelas forças estaduais com apoio da Marinha, a Polícia Federal desencadeou a Operação Maioridade, com objetivo de cumprir 14 mandados de prisão preventiva contra acusados de ligação com o traficante Marcelo Santos das Dores, o Menor P. Chefe da facção Terceiro Comando Puro, que atua em dez favelas da Maré, ele foi preso pela PF na semana passada.
A PM vai permanecer na região até o próximo fim de semana, quando o controle será repassado ao Exército. Os militares vão entrar até o segundo semestre, quando serão inauguradas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) na Maré. Já chega a 118 o número de presos desde 21 de março, quando começou a Operação Cerco, que preparou a ocupação.
Representantes da Anistia Internacional e da ONG Redes da Maré distribuíram panfletos com orientações aos moradores da Maré para conscientizá-los de seus diretos e garantias individuais. Os panfletos alertavam os moradores para denunciarem possíveis invasões de residências sem mandados judiciais e revistas truculentas pelas forças de segurança que ocuparam a região na madrugada deste domingo.

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