PM rebate acusação de ex-soldado na CPI
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sábado, 20 de novembro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, 20 (AE) - Os dois oficiais da Polícia Militar acusados de envolvimento no roubo de cargas de caminhão na região de Campinas disseram hoje que estão sendo vítimas de vingança. O major Eliziário Ferreira Barbosa, chefe interino do Comando do Policiamento Rodoviário de São Paulo, e o capitão Renato Botelho, comandante do Policiamento Rodoviário em Jundiaí, deverão ser ouvidos nos próximos dias pela CPI do Narcotráfico. O sub-relator da CPI em Campinas, deputado Robson Tuma (PFL-SP), disse que todas as informações serão checadas, "para que não se cometa injustiças".
O suposto envolvimento dos policiais rodoviários foi denunciado pelo ex-soldado da PM, Luiz Antonio Ferraz, condenado a cinco anos de prisão por roubo. Em depoimento à CPI, ele disse que Barbosa e Botelho davam-lhe ordens para escoltar caminhões roubados pelo empresário Willian Sozza. Entretanto, numa acareação com o ex- soldado, o motorista Jorge Méres, ex-integrante da quadrilha de Sozza, disse nunca Ter ouvido falar dos dois policiais. "Nós o prendemos e ele prometeu que se vingaria", disse Barbosa.
O capitão instaurou o processo disciplinar e o major presidiu o inquérito que resultaram na expulsão do ex-soldado e em sua condenação na justiça comum. Botelho foi preso pelos policiais rodoviários em novembro de 93, depois de assaltar um pedágio no km 92 da rodovia dos Bandeirantes.
Segundo os policiais, Ferraz vinha praticando os assaltos há algum tempo. "Armamos o esquema para prendê-lo e deu certo", conta. De acordo com Eliziário, o ex-soldado assaltou o pedágio em companhia de outro comparsa e, em seguida, os dois tentaram fugir de motocicleta.
"Fizemos a perseguiçao, eles cairam da moto e nós os prendemos", diz. "Ficamos surpreso ao ver que se tratava de um policial e ele jurou vingança", diz.
Os dois policiais disseram que abrem mão do sigilo bancário, telefônico e fiscal. "Isso tudo é muito constrangedor", afirmou Botelho. Também queremos ser ouvidos o mais breve possível pela CPI, a fim de esclarecer os fatos", completa Eliziário. Os dois policiais nunca foram alvo de inquéritos ou sindicâncias da corporação.
"Se o que os policiais contam é verdade, a explicação faz sentido", ponderou o relator da CPI em Campinas. "Temos nos preocupado em não tomar medidas precipitadas para não prejudicar ninguém", completou. Segundo ele, a CPI está checando todas as informações.
Tuma também resolveu adiar o depoimento do traficante "Andrezinho Vila Rica", um dos mais famosos de Campinas, que deveria ter ocorrido hoje (20). Entretanto, como a maior parte dos integrantes da CPI já havia deixado a cidade, o relator preferiu ouvir o criminoso numa outra data, em Brasília. "O depoimento dele é importante porque poderá revelar outras ramificações do esquema adotado por Sozza", disse.


