Ney de SouzaPercentual cativoO comandante da PM paulista, coronel Claudionor Lisboa, defende a destinação de verbas do Orçamento da União para a segurança pública e a implantação de uma política ‘‘perene’’ de segurança no País. Lisboa quer que, a exemplo dos setores de saúde e educação, o governo destine uma parcela fixa do Orçamento - algo em torno de 25% - para a segurançaForças Armadas
aproveitam apenas
10% dos jovens aptos
ao serviço militar O coronel Claudionor Lisboa, comandante geral da Polícia Militar de São Paulo, defendeu ontem, em Foz do Iguaçu, que a corporação absorva os 1,62 milhão de jovens que anualmente são dispensados do serviço militar obrigatório por falta de vagas. O principal objetivo dessa medida seria diminuir a carência de efetivo nas Polícias Militares de todo o País.
Lisboa defendeu a proposta durante o 16º Encontro de Comandantes Gerais das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares, aberto na segunda-feira. O evento será encerrado hoje, com a divulgação da Carta de Foz do Iguaçu, documento em que as PMs fazem suas reivindicações e respondem às propostas do governo de reformulações nas polícias Militar e Civil.
Segundo o coronel, a proposta apresentada ontem foi aprovada pelo Estado Maior das Forças Armadas (EMFA) no final do ano passado e já consta de projeto de lei (número 1.878/96), de autoria do deputado federal Wigberto Tartucce (PPB-DF), que tramita na Câmara.
A idéia defendida por Lisboa é de que os conscritos (rapazes de 18 anos que se apresentam para o serviço militar obrigatório e são dispensados por excesso de contingente) sejam incorporados às polícias militares. Apenas 10% dos cerca de 1,8 milhão de jovens anualmente aptos ao serviço militar são aproveitados em unidades da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.
‘‘A proposta é que eles sejam utilizados pela PM, após um exame de seleção, em atividades de menor risco, inclusive de policiamento ostensivo’’, afirmou o comandante da PM paulista. Segundo ele, 30% do efetivo da polícia francesa é formado por conscritos.
De acordo com Lisboa, após o período de um ano na PM, os rapazes poderão prestar concurso público para serem efetivados na corporação. Isso reduziria, de dois anos para um ano, o período de preparação desses policiais. Na opinião do coronel, a medida pode reduzir a carência de pessoal.
Somente a PM paulista tem um déficit de dez mil homens - são 80 mil para uma necessidade de 90 mil. Segundo Lisboa, os motivos da falta de funcionários hoje são os baixos índices de aprovação nos concursos (7% em média) e os pedidos de demissão devido ao salário (R$ 550,00 em São Paulo).
A princípio, a prestação de serviços dos conscritos das Forças Armadas na PM seria obrigatória, a exemplo do serviço militar. ‘‘Acho que ele pode vir a ser facultativo, se houver mudanças na Constituição a esse respeito’’, afirmou Lisboa.
O comandante da PM paulista defendeu outras duas propostas no encontro. A primeira é a destinação de um ‘‘percentual cativo’’ do Orçamento da União para a segurança pública e a outra defende a implantação de uma política ‘‘perene’’ de segurança no País. Lisboa quer que, a exemplo dos setores de saúde e educação, o governo destine uma parcela fixa do Orçamento - algo em torno de 25% - para a segurança.

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