São Paulo, 29 (AE) - A Polícia Militar planeja ter uma companhia para cada distrito policial existente na cidade de São Paulo. Atualmente, há 57 companhias e 93 delegacias da Polícia Civil. Essa é a segunda meta da PM para o novo sistema de funcionamento das polícias Civil e Militar na cidade de São Paulo. "Queremos cumprir essa meta até o fim do ano", afirmou o comandante-geral da PM, coronel Rui Melo.
Para tanto, explicou, a corporação está contratando mais policiais - só para a zona sul serão 480 novos soldados - e diminuindo a quantidade de policiais nos setores administrativos. Além disso, a PM pretende usar jovens que, atualmente, são dispensados do serviço militar por excesso de contingente, em funções burocráticas, liberando mais homens para o patrulhamento das ruas. O aumento do número de companhias acontecerá, principalmente, nas zonas leste e sul.
O novo sistema de funcionamento das duas polícias será apresentado amanhã (30) no Palácio dos Bandeirantes pelo governador Mário Covas. Pelo plano, serão criadas oito Sub-regiões de Segurança Pública Metropolitana (SRSPM). Assim, a área de atuação das uma delegacia sempre será a mesma de uma única companhia da PM. Será possível, por enquanto, que essa companhia atende a mais de uma delegacia. Por exemplo: a região de trabalho da 2.ª Companhia do 16.º Batalhão da PM passará a ser idêntica a do 34.º Distrito Policial e a do 75.º DP.
Atualmente, as áreas são distintas. "Esse ajuste diz respeito ao gerenciamento da polícia e tornará mais fácil analisar o desempenho dos homens de comando das áreas e avaliar os índices de criminalidade", disse Melo. A mudança de área das companhias da PM, que são chefiadas por tenentes, fará com que cada uma delas seja obrigada a delimitar novamente as regiões de atuação dos pelotões, comandados por tenentes, e dos setores de atuação das patrulha. "Fazemos o patrulhamento ostensivo e cada carro da PM está amarrado a um setor para que nada fique descoberto", disse Melo.
Pelo novo sistema, todo mês os chefes da polícia dos bairros informarão os resultados do policiamento aos comandantes da zona da cidade e, a cada 90 dias, os dados serão repassados à Secretaria da Segurança Pública. Para o comandante-geral, a população sentirá os resultados a longo prazo. Na prática, o cidadão continuará ligando para o telefone 190 quando precisar da polícia e a ir na mesma delegacia que já atende o seu bairro - as áreas das delegacias não mudaram, só as das companhias da PM. "Não deslocaremos policiais, só mudamos a vinculação de algumas companhias, que deixaram de pertencer a um batalhão para fazer parte de outro", afirmou Melo. Unificação - A unificação de áreas enfrentou pouco resistência nas duas polícias - a maior parte no interior do Estado, onde houve atritos entre PM e Polícia Civil. Depois da unificação de áreas, a Secretaria da Segurança Pública está preparando a unificação das comunicações das duas polícias. Atualmente, cada uma tem o seu centro de comunicação.
O Comando da PM é o mais bem aparelhado. No último blecaute que atingiu São Paulo, ele foi o único centro que permaneceu funcionando - o Cepol da Polícia Civil ficou fora do ar naquele dia. A PM dispõe ainda de centros menores nas outras cidades. Além disso, o secretário Marco Vinício Petrelluzzi, pretende por em um mesmo prédio os comandos das duas polícias e o gabinete do secretário. Essas medidas fazem parte do plano de unificação operacional e de planejamento das duas instituições - a união definitiva das duas depende de emenda constitucional. (Marcelo Godoy)

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