Anhembi, SP, 29 (AE) - O comandante do 22º Batalhão da Polícia Millitar em Botucatu, major João Francisco Antunes, convocou um encontro com as lideranças das 1,2 mil famílias de sem-terra que ocupam, desde a semana passada, a Fazenda Boa Esperança, em Anhembi, no interior de São Paulo, para pedir a desocupação voluntária das terras. A reunião está marcada para as 10 horas, no centro comunitário de Anhembi. Segundo o major, será dada aos sem-terra a oportunidade de sair da fazenda de forma amigável, sem o risco de um confronto. "Vamos apelar para o bom senso das lideranças", disse. Se a proposta não for aceita, segundo ele, não restará alternativa senão usar a tropa para cumprir a ordem de despejo expedida dia 22 pela juíza Lígia Cristina Berardi Possas, da 1ª Vara de Conchas, em favor do dono das terras, Osvaldo Calcidoni.
Hoje, o proprietário reclamava da demora no cumprimento da ordem judicial. "A cada dia vai chegando mais gente no acampamento", disse. Ele contabilizou, só hoje, a chegada de mais cinco ônibus lotados de militantes e três caminhões com lonas e materiais. Chegou também, segundo ele, um caminhão com telhas de amianto, caixas dágua e material de construção, o que denotaria a intenção do grupo de permanecer na fazenda. As estradas de acesso ao acampamento foram bloqueadas com madeira e montes de terra. A passagem é controlada pelos militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
Até o começo da noite, os líderes não tinham definido se irão ao encontro convocado pela PM. A decisão seria tomada à noite, durante uma assembléia. As lideranças têm manifestado a intenção de não acatar a ordem de despejo, permanecendo na fazenda até que seja apontada uma área para assentamento das famílias.

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