PM promete rigor no combate a briga de gangues
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terça-feira, 12 de outubro de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 13 (AE) - A Polícia Militar está instruindo seus homens para reprimir novos confrontos entre as gangues rivais de clubbers e skatistas na capital paulista. A informação é do coronel Leopoldo Correa, chefe do Comando de Policiamento de área Metropolitano 5 (CPA-M5). Na madrugada de ontem (12) uma briga entre os dois grupos deixou três feridos. O confronto começou em Pinheiros e arrastou-se pelos Jardins, terminando com a intervenção da PM, que deteve 55 adolescentes - 6 deles foram reconhecidos como os causadores da confusão e enviados ao SOS Criança.
"A área onde houve a briga já tem um policiamento reforçado; vamos agir com rigor para impedir que menores tragam um quadro de horror à região", afirmou o coronel. Segundo ele, os policiais dos batalhões responsáveis pelo policiamento da área já estão sendo instruídos para combater as gangues. "Mas os pais não podem lavar as mãos; tolerância zero deve começar em casa."
De acordo com o delegado Fernão de Oliveira Santos, titular da Delegacia Seccional Oeste, a situação preocupa. "Não esperávamos esse comportamento irracional de pessoas que frequentam a região", disse. Para ele, o confronto demonstra uma coisa simples: a certeza da impunidade dos menores de 18 anos.
Os integrantes das gangues rivais detidos ontem pela polícia afirmaram que as brigas vão continuar. O skatista R.V., de 17 anos, disse que seu grupo não gosta da forma como os clubbers se vestem e como se comportam. "Vamos continuar brigando."
A briga começou quando os rivais encontraram-se no cruzamento da Avenida Henrique Schaumann com a Rua Cardeal Arcoverde. Na avenida fica uma casa noturna frequentada por clubbers e, na rua, uma que reúne skatistas. Com pedras, correntes e paus, a briga estendeu-se até a Avenida Brasil. Segundo o delegado, essa foi a primeira grande confusão na região entre os dois grupos.
Na década passada e no começo desta as principais rivalidades entre gangues envolviam os carecas, também chamados skinheads, e os grupos de cabeludos, ou metaleiros, e de góticos. "A gente não procura briga, mas os clubbers sempre nos provocam", disse o skatista A.V.G., de 15 anos. Além dos clubbers, outro grupo rival dos skatistas são os cyber manos ou cyber punks. "Esses caras dão uma de punk, mas curtem som eletrônico", conta o rapper Holdriney Gomes Machado, de 20 anos
o "Tito". Os rappers e os grupos de hip hop compartilham com os skatistas a aversão pelos clubbers e cyber punks. "É todo mundo contra eles", afirmou o skatista A.S.S., de 17 anos.
Os grupos andam com chaveiros feitos com 20 a 30 centímetros de correia de bicicleta. Tito contou uma briga entre seu grupo e um de cyber punks em Mogi das Cruzes. "Saímos do trem e demos de cara com eles." A discussão começou por causa da música que os rappers estavam ouvindo. "Eles disseram que era música de ladrão e um deles bateu com uma corrente em um mano nosso."
Convívio - "Nunca tive problema com os clubbers, isso tudo ocorre por causa de ladrão que corre atrás de roupas de clubber para vendê-las", afirma Alex Souza Macedo, de 18 anos. Skatista há três anos, ele diz frequentar casas noturnas de clubbers sem problema. "Quem procura confusão não é skatista de verdade", disse. "É só jogar um skate na mão dele para ver que o cara não faz manobra, não faz nada."
Mas os grupos têm pontos de encontro diferentes. Enquanto skatistas e rappers reúnem-se durante o dia no Vale do Anhangabaú e em outros locais do centro, os clubbers frequentam Pinheiros e os Jardins. À noite, frequentam casas diferentes, mas próximas, em Pinheiros. "Não será a polícia que resolverá sozinha o problema, ela só aplicará a lei", disse o delegado.


