PM procura outra vítima do maníaco
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sexta-feira, 07 de agosto de 1998
Renato Lombardi Agência Estado 
Os soldados da Companhia de Operações Especiais (COE), da Polícia Militar de São Paulo, encontraram ontem à tarde nas matas do Parque do Estado, próximo ao local onde as oito mulheres foram assassinadas, um cartão de compras da loja C&A em nome de Rosinalva Patriota Romeu, uma bermuda e um par de sapatos pretos de mulher. A polícia não sabe se o documento pode ser de mais uma vítima do maníaco do parque. Na relação de moças desaparecidas desde o ano passado e procuradas pela polícia não consta o nome de Rosinalva.
Os policiais, com o número 0258240903 do cartão, vão tentar com a rede de lojas o endereço de Rosinalva e saber se ela está viva. O motoboy Francisco de Assis Pereira, acusado de ser o maníaco do parque e da morte de oito mulheres, continua negando os crimes.
Ontem o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) encaminhou para a 1ª Vara do Júri o inquérito do assassinato da balconista Selma Ferreira Queiroz, de 18 anos, e apontou Pereira como o autor. O diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, Marco Antônio Desgualdo, afirmou que existem provas da participação de Pereira na morte de Selma, ocorrida no dia 3 de julho, que serão analisadas pela Justiça. O diretor do DHPP solicitou também a prisão preventiva de Pereira, que, se decretada, permitirá que ele fique preso até o julgamento.
Desgualdo explicou também que a falta do exame de DNA, que seria feito com o esperma colhido pelo Instituto Médico-Legal (IML) do corpo de Selma e não foi possível porque não havia material em quantidade mínima para exame, não vai prejudicar a apuração.
O motoboy foi interrogado durante sete horas na noite de anteontem e madrugada de ontem. Pereira negou ter assassinado Selma Ferreira Queiroz, mas ficou irritado em muitos pontos do interrogatório. O senhor conhecia a senhorita Selma Ferreira Queiroz?, perguntou o delegado Sérgio Alves, responsável pelo inquérito. Nunca vi essa moça na minha vida a não ser pela foto que o senhor mostrou, respondeu. Pode contar como a cédula de identidade dela, queimada em parte, foi parar no esgoto da empresa em que o senhor trabalhava? Pereira ficou calado, olhou para seus advogados e depois respondeu. Não tenho nada com isso. A empresa vive cheia de motoboys. Vai ver que foi algum deles que jogou o documento lá.
O delegado insistiu na pergunta da empresa. Uma testemunha nos disse que o senhor na manhã de domingo, um dia antes de deixar a firma, queimou papéis, fez uma grande fumaça e ela até brincou pelo muro dizendo que o senhor poderia colocar fogo na empresa. É verdade? Pereira calou-se novamente. Não lembro direito, mas de vez em quando eu fazia faxina e queimava papéis, mas não tenho nada com a cédula queimada.
Os policiais não revelaram o teor do interrogatório, alegando que se o fizessem isso poderia atrapalhar as apurações. Pereira vai continuar preso nas dependências do DHPP.


