PM pretende despejar sem-terra hoje
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terça-feira, 04 de fevereiro de 1997
Luiz Carlos Lopes, 
da Agência Estado de Presidente Venceslau
A Polícia Militar deve retirar hoje as 300 famílias sem-terra que estão acampadas em área da Fepasa nos limites da Fazenda Santa Tereza, em Euclides da Cunha, no Pontal do Paranapanema. A medida dá cumprimento ao mandado de reintegração de posse concedido ao fazendeiro Herclito Macedo, dono da fazenda.
Apesar do sigilo com que a PM tentou montar a operação, numa tentativa de surpreender os acampados, o despejo já estava programado desde ontem à tarde, conforme admitiu um policial da região que pediu para não ser identificado.
Os sem-terra já adiantaram que não pretendem sair do leito ferroviário, porque não têm para onde ir. Na semana passada, o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Walter Gomes, disse que os acampados poderiam resistir.
Na sexta-feira, o despejo chegou a ser programado, inclusive com a mobilização de parte das tropas, mas foi suspenso pela PM. Os sem-terra dizem que a suspensão da operação foi determinada pelo secretário da Segurança Pública, José Afonso da Silva. Desde então, os soldados desenvolvem preparativos para a reintegração.
Prefeitos Preocupados com o aumento da tensão no Pontal do Paranapanema, 15 prefeitos da região estarão reunidos hoje pela manhã na prefeitura de Presidente Epitácio. Eles pretendem assumir posições políticas visando reduzir o clima de tensão existente na área. A reunião foi confirmada pelo prefeito de Presidente Prudente, Mauro Bragato (PSDB).
Segundo Bragato, apesar dos problemas fundiários do Pontal serem antigos, existe um vácuo político que os prefeitos pretendem preencher à partir desta reunião. Na semana passada os administradores conversaram com integrantes da Comissão Externa da Câmara Federal, nomeada para avaliar a questão fundiária na região.


