Curitiba- Um dia depois de encontrar quase 200 quilos de dinamite em uma casa abandonada no bairro Guarituba em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, a Polícia Militar (PM) prendeu, ontem de manhã, o dono da casa, Juarez Geraldo Ribeiro Carneiro, de 28 anos. Ele é suspeito de ter furtado os explosivos de uma pedreira onde trabalhou com objetivo de comercializar o material. Juarez foi encaminhado para a Delegacia de Explosivos, Armas e Munições de Curitiba, responsável pelo inquérito policial.
A dinamite encontrada era fabricada pela indústria IBQ, antiga Britanite, situada em Quatro Barras, na RMC. Pelo número de série das dinamites, a PM descobriu que o material foi vendido à Pedreira Boscardin, também de Piraquara. De acordo com o 1º tenente Fernando Klemps, responsável pelas investigações, o proprietário da pedreira afirmou que, há cerca de dois anos, houve furto de dinamites em sua empresa, e que ele inclusive registrou queixa policial. ''Juarez trabalhava com caminhão naquela época e tirava terra da pedreira. Foi nesse período que ele furtou as dinamites'', concluiu.
A PM chegou à casa onde estavam os explosivos através de denúncia anônima. No local, foram encontrados a dinamite do tipo ''bananinha'', com estopim e um líquido próprio para detonação. Na casa, vivia uma cunhada de Juarez, que deixou o imóvel há cerca de duas semanas. Além das informações da denúncia, segundo Klemps, a versão de que Juarez era responsável pela carga foi confirmada por vizinhos e testemunhas, que afirmaram que um homem utilizava um caminhão para descarga no local.
A casa, situada na Rua São José, nº 100, no bairro Guaraituba, fica em uma área de invasão, próxima à Penitenciária Estadual de Piraquara. Conforme relato dos vizinhos, suspeita-se que Juarez pretendia vender as dinamites a R$ 300,00 cada e que ele estaria negociando com o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa existente dentro e fora de penitenciárias de todo País.
Juarez nega o envolvimento. Ele afirma que não fazia trabalhos para a pedreira Boscardin, e que esteve em seu imóvel há cerca de cinco meses, mas apenas para pegar pedras, que seriam usadas no terreno da casa onde vive, na Vila Santiago, também em Piraquara. Ele alega, ainda, que estava trabalhando no Norte do Estado na época em que houve furto de explosivos da pedreira. ''Eu estava trabalhando quando minha esposa me ligou contando que minha casa estava cheia de policiais. Se eu fosse culpado, você acha que eu ia ficar esperando a polícia me pegar no outro dia?'', questiona. Juarez, que é casado e tem três filhos, trabalha atualmente de motoboy para uma empresa de Piraquara.

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