Belém, 24 (AE) - A advogado Américo Leal, que defende os três oficiais absolvidos da acusação de envolvimento no massacre de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, afirmou hoje que caso o julgamento seja anulado, "ao arrepio da lei", a Polícia Militar do Estado pode parar. "De capitão para baixo, o sentimento da tropa é cruzar os braços como forma de protesto", disse Leal, advogado do coronel Mário Pantoja, major José Maria Oliveira e do capitão Raimundo Lameira, inocentados pelo Tribunal do Júri de Belém dia 19. Nota da PM distribuída hoje nega essa hipótese.
Para o advogado, o Tribunal de Justiça e o Ministério Público não podem ceder à pressão que está sendo feita pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST), partidos de esquerda, e entidades nacionais e internacionais de direitos humanos visando a anulação do julgamento. "Esse pessoal está querendo virar a mesa passando por cima das leis", disse. Leal afirmou que o serviço secreto da PM vem acompanhando as pressões feitas por organizações simpatizantes do MST, "cada vez mais fortes", no sentido de influenciar a Justiça a anular a decisão do júri e condenar os 150 policiais militares.
Nota - Em nota distribuída à imprensa, o comando da Polícia Militar nega a intenção de realizar qualquer tipo de manifestação contrária à decisão do júri, "seja ela qual for". A nota assinala que o júri popular é soberano e que cabe à PM "acatar suas decisões, até porque seria ilegal qualquer manifestação por parte dos integrantes da força pública estadual".
Comentando depoimento prestado ontem no Ministério Público pelo jurado Fernando Brito, que acusou o também jurado Sílvio Queiroz Mendonça de ter recebido suborno para inocentar os três oficiais, Leal aproveitou para desqualificar o denunciante. "Ele é filiado ao PT e assessor da vice-prefeita Ana Júlia Carepa, que armou essa palhaçada para aparecer na mídia".
A vice rebateu o ataque: "Eu nem sabia o nome dessa pessoa antes de levá-la ao Ministério Público. Não é e nunca foi meu assessor. Se o advogado pensa isso, então os outros quatro jurados que participaram da sessão que absolveu os assassinos, todos funcionários públicos do Estado, seriam assessores do governador Almir Gabriel".

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