Piracicaba, SP, 20 (AE) - O 10º Batalhão da Polícia Militar pode realizar amanhã (21) o despejo das 1,2 mil famílias que, desde o dia 5, ocupam a Fazenda Maria ¶ngela, em Piracicaba
a 170 quilômetros de São Paulo. O despejo foi decretado no dia seguinte à invasão (06) pelo juiz Joel Valente, da 6ª Vara Cível local. O coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Gilmar Mauro tentava hoje obter maior prazo para a saída das famílias. Ele fez contato com o Ministério Extraordinário de Polícia Fundiária e com o deputado estadual Hamilton Pereira (PT). Até o fim da tarde, a operação de despejo era confirmada por fontes da PM. Mauro alegava que um novo despejo vai agravar as condições de saúde das mais de 300 crianças que se encontram no acampamento. O mesmo grupo foi despejado quatro vezes, desde que se formou para invadir a Fazenda Engenho Dágua, em Porto Feliz, em 7 de fevereiro. "Cada mudança cria um clima de tensão prejudicial sobretudo às crianças." Há também oito gestantes no acampamento.
Segundo o líder do MST, o ouvidor agrário nacional Gercino José da Silva Filho, cuja ouvidoria é vinculada ao Ministério da Política Fundiária, manifestou-se de forma favorável ao adiamento do despejo.
Até a tarde, a PM não tinha recebido ordem para suspender a retirada das famílias da fazenda. Os sem-terra também não poderão continuar nas margens da Rodovia Samuel de Castro Neves (SP-147) em razão de um pedido de interdito proibitório formulado pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Parte dos barracos foi edificada na beira da estrada.
Segundo Mauro, a intenção do grupo era ficar na região até que o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) conclua a discriminação de cerca de 3,5 mil hectares de áreas devolutas em Anhembi (SP). O MST pretende assentar as famílias nessas áreas.
O dono da Fazenda Maria ¶ngela, Joseph Moutran, afirmou hoje que não terá de fornecer alimentação aos policiais incumbidos do despejo, como havia informado. A estrutura de apoio à operação que lhe foi pedida é de 20 caminhões, 2 ônibus e 80 homens.

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