PM pede alimentos à população
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sábado, 19 de julho de 1997
Agência Folha Recife 
Policiais militares em greve por melhores salários saíram às ruas de Recife ontem para pedir dinheiro e alimentos não perecíveis à população. Segundo a Associação dos Cabos e Soldados, que coordenou o pedágio, tudo o que foi arrecadado será doado à Cruzada de Ação Social, órgão ligado ao governo e presidido pela primeira-dama do Estado, Madalena Arraes. Queremos mostrar que nosso movimento é pacífico e ordeiro, disse o diretor de imprensa da associação, soldado Moisés Florenço de Oliveira Filho.
O pedágio ocorreu na avenida Agamenon Magalhães, uma das mais movimentadas da cidade e mobilizou os 30 diretores da associação, divididos em dois grupos. Uniformizados e desarmados, os grevistas abordavam os motoristas que paravam nos semáforos, explicavam a razão do movimento e pediam ajuda. Ao mesmo tempo, faixas com inscrições responsabilizando o governo do Estado pela insegurança da segurança pública eram estendidas em frente aos veículos.
Os policiais que permaneciam em vigília em frente à Assembléia Legislativa foram instruídos a permanecer em suas casas no fim-de-semana. A partir das 7 horas de amanhã, no entanto, todos deverão retornar ao mesmo local para uma nova assembléia da categoria. Além dos sindicatos, grupos religiosos discutem o apoio à greve dos policiais. O governador Miguel Arraes (PSB), que ainda não se pronunciou sobre a crise, reuniu-se ontem com seus assessores para discutir o impasse.
O temor de saques e arrastões que provocou o fechamento antecipado de várias lojas na sexta-feira, voltou a se repetir ontem. O comércio no centro da cidade, principal alvo das gangues, funcionou parcialmente. Não houve registro de conflitos.


