PM pede ajuda para despejar sem-terra
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quarta-feira, 02 de abril de 1997
Agência Estado 
NAVIRAÍ - A Polícia Militar (PM) de Mato Grosso do Sul vai pedir ajuda ao fazendeiro João Bertin, dono da Fazenda Santo Antônio, em Itaquiraí, no extremo sul do Estado, para executar a operação de despejo de cerca de 2.300 famílias de sem-terra, acampados na propriedade desde o dia 8. A mobilização da tropa está prevista para o início da próxima semana e deve envolver cerca de 700 homens, além de tratores e caminhões da fazenda.
A decisão de cumprir a ordem judicial que determina a reintegração de posse da área, assinada pelo juiz da comarca de Naviraí um dia depois da invasão, depende ainda de uma última rodada de negociações. Uma nova reunião foi marcada para amanhã pela manhã em Campo Grande. Ontem, líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) levaram ao acampamento a proposta acertada na véspera com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em reunião que entrou pela noite de terça-feira na sede da Secretaria de Agricultura do Estado.
Após um encontro de um fórum estadual, criado para discutir uma saída para a crise, do qual participaram o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, e o governador Wilson Barbosa Martins (PMDB), técnicos do Incra se comprometeram a fornecer alimentos aos acampados que aceitarem ser transferidos para uma área provisória em Japorã, município vizinho de Itaquiraí. O governo se comprometeu também a acelerar a aquisição de terras em Japorã para assentamento definitivo, além de garantir que se ficar comprovado que há excesso de terras na Santo Antônio, essa parte também deverá abrigar famílias do MST. Até o início da noite os sem-terra ainda não haviam fechado uma posição sobre a proposta do Incra.
Em Naviraí, o comando da PM confirma que a operação de despejo está pronta, mas que falta ainda deslocar a tropa de outras cidades para a ação. Vamos ter de ter ajuda do fazendeiro, afirmou ontem o major Jaime Lopes Flores, comandante da Oitava Companhia da PM. Já conversei com o pessoal da fazenda e quando houver a ordem é só movimentar os tratores, disse o major. Quando chegar a ordem mando um oficial à fazenda para falar com o administrador e organizar a logística, disse. Segundo o oficial, a determinação de deslocar a tropa, entretanto, só deve ocorrer depois de esgotada a negociação de amanhã. Se não houver acordo, vamos cumprir a ordem de despejo, adiantou.
O major disse ainda que a operação toda deve durar pelo menos um dia. Só para deslocar tropa de outros municípios levaremos de 10 a 15 horas, argumentou. O efetivo da PM em Navirarí é de cerca de 170 Pms. Deve vir gente de fora, explicou.


